23.4.16

18.3.16



Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não?

17.3.16

O mito da cordialidade

"'Somos cordiais' significa em primeiro lugar que agimos pelo coração - mesmo quando odiamos. (…) Existe um ódio que Euclides da Cunha notou como se fosse do sertão, ao dizer que havia um encontro entre o Brasil do litoral, civilizado, do século XIX com o Brasil antigo, violento - como se o ódio não fosse uma característica do Brasil, e sim dos grotões. (...) 
Vocês devem lembrar que na escola não aparece a expressão 'guerra civil' em toda a História do Brasil. Nós não utilizamos essa expressão quando o Rio Grande do Sul se separa durante dez anos do resto do Brasil; não utilizamos essa expressão na Cabanagem, na Sabinada ou na Balaiada; não utilizamos na revolução de 1932. Todos esses movimentos são revoltas regenciais, movimentos constitucionalistas, abriladas, movimentos liberais. Nós vivemos 'agitações', nunca guerra civil. Ora, se guerra civil é uma guerra de pessoas contra pessoas de um mesmo país, nós temos vivido sistematicamente episódios de guerra civil; inclusive disfarçadas ou iminentes, como na campanha da legalidade ou nas reações, ainda que fracas, ao golpe militar de 64. (...) 
Evitar a expressão 'guerra civil' quer dizer que nós evitamos a denominação da violência. Conseguimos dizer apenas expressões eufemísticas, uma maneira de atenuar nosso horror estrutural a imaginar que nós sejamos violentos. (...) 
A questão crucial da história brasileira é de que a violência é sempre do outro; nunca é minha. Ela é sempre um espanto, sempre inexplicável, só tem sentido no outro. Então constato que, por incrível que pareça, nós somos um povo profundamente pacífico, cercado de gente violenta por todos os lados."

Vale a pena gastar horinha e meia nessa ótima palestra do historiador e comentarista do Jornal da Cultura Leandro Karnal sobre o ódio no Brasil x o mito da cordialidade brasileira (e do ser humano em geral) pra entender porque isso não é, nem de longe, uma novidade.
Cheguei em casa e tinha atualização do java

Cês não imaginam como eu fiquei feliz. Que bom que ainda podemos ter algumas certezas.

13.3.16

Os meios para a compreensão: a idéia e o indivíduo


"Em geral se aconselha a governantes, estadistas e povos a aprenderem a partir das experiências da história. Mas o que a experiência e a história ensinam é que os povos e governos até agora jamais aprenderam a partir da história, muito menos agiram segundo as suas lições. Cada época tem suas próprias condições e está em uma situação individual; as decisões devem e podem ser tomadas apenas na própria época, de acordo com ela. No torvelinho das questões mundiais nenhum princípio universal e nenhuma memória de condições semelhantes poderá ajudar-nos — uma reminiscência imprecisa não tem força contra a vitalidade e a liberdade do presente. Nada é mais oco do que os apelos tantas vezes repetidos aos exemplos gregos e romanos durante a Revolução Francesa; nada é mais diferente do que a natureza destes povos e a de nosso próprio tempo."

"Uma primeira olhadela na história nos convence de que as ações dos homens emanam de suas necessidades, suas paixões, seus interesses, suas qualidades e seus talentos. É como se realmente nesse drama de atividades todas essas necessidades, paixões e interesses, fossem a causa e o principal motivo da ação. É verdade que este drama envolve também objetivos universais — benevolência ou nobre patriotismo, virtude e objetivos esses deveras insignificantes no vasto quadro da história. Talvez se possa ver o ideal da Razão realizado naqueles que adotam tais objetivos e na esfera de suas influências; entretanto, seu número é mínimo em proporção à massa da raça humana e sua influência, proporcionalmente limitada. Paixões, objetivos particulares e satisfação de desejos egoístas são, ao contrário, formidáveis motivos de ação. Sua força está em que eles não respeitam nenhuma das limitações que a lei e a moralidade impor-lhes-iam e no fato de que estes impulsos naturais estão mais próximos da essência da natureza humana do que a disciplina artificial e maçante que tende à ordem, ao autodomínio, à lei e à moralidade.

Quando examinamos este mostruário de paixões e as conseqüências de sua violência, o absurdo associado não apenas a eles, mas até (diríamos antes especialmente) com os planos bons e os objetivos honestos e quando vemos surgir daí o mal, o vício, a ruína que ocorreram aos reinos mais florescentes que a mente humana jamais criou, mal podemos evitar encher-nos de tristeza com essa mancha universal de corrupção. E, como esta decadência não é obra da natureza simples, mas da vontade humana, nossas reflexões podem muito bem levar-nos a um pesar moral, uma repulsa pela vontade boa (o espírito) — se é que esta tem realmente espaço dentro de nós. Sem exagero retórico, um simples relato verdadeiro das desgraças que destruíram os mais nobres governos e as mais nobres nações e os melhores exemplares da virtude privada forma um quadro assustador, despertando emoções da mais profunda e mais desesperançada tristeza, sem a compensação de um resultado consolador. Podemos suportá-lo fortalecendo-nos contra isto apenas pensando que assim deveria ser — é o destino, nada se pode fazer. Por fim, saindo do aborrecimento com que esta dolorosa reflexão nos ameaça, voltamos à vitalidade do presente, para nossos objetivos e os interesses do momento. Resumindo: voltamos ao egoísmo que está na praia tranqüila, gozando em segurança o distante
espetáculo do naufrágio e da confusão."

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich, que não foi invocado a toa, em 'A Razão na História'

Obrigada, mundo, por ser assim.
não vou porque não
não vou porque não
não vou porque não
não vou porque não
não

11.3.16


‪#‎VoltaFamíliaTufão‬

6.3.16



recalque bombando por não ter tocado essa no show que eu fui :(((
que baita música, galere.

3.3.16

25.2.16

Rolam as pedras

Pra não dizer que o show de ontem foi perfeito, duas coisas que poderiam melhorar:

1) Essa música, This Place is Empty, deveria ser OBRIGATÓRIA em qualquer show dos Stones com mais de dez mil pessoas;

2) Ensinaram tanta coisa pro Mick Jagger falar em português, até beijinho no ombro, e não falaram pra ele dar uma dançadinha com BABYDOLL DE NYLON? PQP VCS.



21.2.16

Mississipi Goddam



Nina Simone, apenas com essa música, foi mais punk que Sex Pistols tocando God Save the Queen, mais contundente que Bob Dylan discursando contra a guerra, mais chocante que Roberto Carlos mandando tudo pro inferno, ou qualquer outro exemplo de letra-que-quebra-tudo que eu consiga me lembrar, de qualquer gênero musical.

A canção foi inspirada pelo atentado que matou quatro crianças negras numa igreja no estado do Alabama em 1963; e o grito-desabafo de revolta GODDAM teve um impacto enorme, ainda mais na voz de uma mulher negra em uma época em que segregação racial era lei. E isso foi só o começo da sua luta, que foi dura, longa e de fundamental importância.

Hoje é aniversário dela e só temos a agradecer.

Nina, que bom que você nasceu.

https://www.letras.mus.br/nina-simone/185487/traducao.html

7.2.16

1.2.16

E finalmente chegou fevereiro, também conhecido como O Mês Em Que Eu Vou Respirar O Mesmo Ar Que o Keith Richards.

Junto com ácaros e bactérias de mais 30 mil pessoas, mas já e alguma coisa.

25.1.16



A última vez que passei por aqui foram muitas⠀
era tudo diferente, esse prédio, aquela casa⠀
isto era assim, aquilo era assado,
nem reparei⠀
na cidade como uma foto antiga⠀
ela cada vez mais nova⠀
eu cada vez mais velha⠀

(ambas um pouco pior)


Os passeiozinhos deste fim de semana/feriado, cheios de sol, chuva, música, amigos e encontros deliciosos foram basicamente uma clara demonstração do porquê desta cidade, mesmo feiosa e problemática, ser tão querida.

São Paulo
é uma coisa que só a gente sabe: é nois.

13.1.16

★ Look up here, I'm in heaven. ★



#RIPDavidBowie


Sei nem o que dizer a esta altura do campeonato.
Só lamentar.

Em mais um desdobramento da maravilhosa Obra da Vida e Morte do Artista David Bowie, sua ex-esposa, confinada em um Big Brother de celebridades, recebe a notícia de seu falecimento e, ao compartilhar a informação com sua colega, menciona apenas 'David is dead', o que causa uma certa confusão pois a mesma pensa que quem morreu foi David, outro participante do programa. Não percam mais esse eletrizante capítulo:
‪#‎literaturapraquê‬



On Celebrity Big Brother today, David Bowie’s ex-wife Angela told Tiffany (“New York”) that he died, and Tiffany thought she was talking about one of their housemates/players of the game - David Gest - and not David Bowie, and what happened after… was wild. I'm motherfucking screaming. This is a fucking iconic moment on television.
Publicado por Superficial em Quarta, 13 de janeiro de 2016

31.12.15

Sem esquecer que:



1996, 2016, no fim dá tudo na mesma

21.10.15

O futuro não é mais como era antigamente



Marty Mcfly chegou no futuro e as pessoas no bar estavam vestidas como nos anos 60, usavam gumex no cabelo, compravam discos de vinil, tinham filtro de barro e coador de café de pano, cultivavam hortas em casa, escovavam os dentes com bicarbonato, iam pro parque com suas máquinas de escrever, abriu o jornal (tinha jornais!) e viu que a peste negra tinha voltado, ele entendeu foi nada.

10.9.15



[Francois Truffaut por Jeanloup Sieff, Paris, 1959]

7.9.15

Sobre amor & outros peixes



Obra em construção desde 2009, a série "Sobre amor & outros peixes" usa os seres do mar como analogia para os diferentes tipos de sentimentos, nuances e sutilezas que envolvem os relacionamentos humanos: amor, dependência, carinho, dominação, paixão; tentáculos, escamas e nadadeiras; tudo misturado suavemente, como uma dança em meio líquido, de movimentos tão delicados quanto distorcidos. O amor pode ser um peixe dourado, um tubarão, uma arraia que se finge inofensiva. Daqui pra frente as associações são infinitas e ficam a cargo de cada um.

O amor não é fácil de explicar.


(mais aqui: http://www.evauviedo.com.br/sobre-amor-e-outros-peixes)

6.9.15

Farta





Assisti o documentário 'Fed Up' no Netflix sobre a culpa da indústria alimentícia na epidemia de obesidade infantil nos EUA e olha, dá vontade de não comer nunca mais na vida algo com código de barras.
‪#‎MercadodaLapamelhoremtudo‬


Veja aqui: http://www.netflix.com/FedUp
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar
En el valle, en la montaña
En la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
Con sus sueños cada cual
Con la esperanza delante
Con los recuerdos detrás
Yo tengo tantos hermanos
Que no los puedo contar

‪#‎FelizDiadoIrmão‬

30.4.15

O meu mal é nenhuma certeza



Moça deixe que eu ligue meu olhar em você
Você é mesmo uma cigana bonita
Mochileira deite comigo essa noite
E conte alguma boa e velha história
De umas noites de mágica em Machu Picchu
E os dias dourados na Califórnia

O encanto se foi
Mas você diz acreditar
No bem, na revolução, no amor,
No pé na estrada, no zen
Sua vida é um trem indo embora
Trens, estradas, cidades
Que a mim já não empolgam meu bem
A minha alma adoece
No Rio ou no Nepal
O meu mal nenhuma certeza
o seu mal é certeza total

Dança Mochileira
Que eu toco a guitarra
Dança Mochileira
E aquece a minha alma

Mochileira deite comigo essa noite
E conte alguma boa e velha história
De umas noites de mágica em Machu Picchu
E os dias dourados na Califórnia

Você tem o dom
de viver em qualquer lugar
Mesmo quando o medo vem
Uma noite nos Andes é fria
Mas o frio, ele é fácil de se espantar
Os Deuses sabem
Que a estrada ainda é uma farra
E depois o trovão não assusta
Alguém com essa marra de ser
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva

Dança Mochileira
E aquece a minha alma
Dança Mochileira
Que eu toco a guitarra

27.4.15



A natureza é linda.

14.4.15

Era uma vez um restaurante tradicional em São Paulo. Depois que o dono morreu, os herdeiros resolveram deixar tudo na mao de uma empresa terceirizada de administracao de restaurantes. Os consultores, munidos de tabelas de custo/lucro etc, fizeram algumas mudanças, entre elas trocar o fornecedor de carne, e a marca do feijao por um mais barato (sendo que bife e caldinho de feijão eram os carros-chefe do estabelecimento). Além disso, mudaram o esquema de gorjetas dos garçons, igualando todos por baixo e prejudicando os mais antigos (e a gente bem sabe a importância de um garçom experiente e cordial), que foram para a concorrência, sem receber nenhum tipo de contra-proposta da parte do restaurante.

Agora OH! estão surpresos porque o movimento caiu.

Deve ser culpa da crise.

4.3.15

consciência pra ter coragem; força pra saber que existe


O lemingue é um bicho corajoso. Quando acuado, ataca até mesmo predadores dez vezes o seu tamanho. Assim como muitos outros animais que habitam regiões inóspitas, procriam loucamente como modo de preservação da espécie; mas frequentemente sofrem com o problema da superpopulação. Quando isso ocorre, eles migram em bando, aos MILHARES, rumo a outras regiões em busca de comida. Nada pode deter esse arrastão. No entanto, eles não medem muito bem a consequência dos seus atos: se no meio do caminho houver um penhasco eles pulam; se houver um rio caudaloso eles entram. Morrem muitos, mas a espécie sobrevive. Por isso adquiriram a fama de 'suicidas', mas eles são apenas um pouco (bastante) inconsequentes, tem um perigoso comportamento de manada, não planejam, não refletem, não pensam no futuro, apenas vão, de acordo com o agora.


Mas quem somos nós pra criticar esse comportamento, né?

17.11.14

Tangled Up In Blue





















We'll meet again someday on the avenue


31.10.14

Por causa do amor



she doesn't see

27.10.14

Saber perder é importante.
Saber ganhar também.
Feliz ano novo pra todo mundo, e bora viver.
\o/

26.10.14

#DilmaNovamente



[foto Helena Wolfenson]

22.10.14

só queria que as coisas fossem boas e as pessoas livres


A Confeitaria Mag publicou hoje um trecho inédito do novo livro da Clara Averbuck, a ser lançado ainda este ano. Para ilustrar (e também dar um gostinho do que vem por aí), liberamos o rascunho de um dos desenhos que estarão no livro. 

16.10.14

Um dia, vinte e seis anos atrás



42'43" minutos em outubro de 1988, pelas lentes de um turista japonês em São Paulo

6.10.14

O destino (à maneira dos... coreanos)


Encontraram-se os dois chineses.

— Olá, Shen-Tau, por onde andou?
— Ah, passei seis meses no hospital, Shin-Fon.
— Eh, isso é mau!
— Nada. Isso é bom: casei com uma enfermeira bacaninha.
— Ah, isso é bom!
— Que o que — isso é mau. Ela tem um gênio dos diabos.
— É, isso é mau.
— Não, não, isso é bom: o avô dela deixou uma herança e eu não preciso trabalhar porque ele acha que só eu sei cuidar do gênio dela.
— Oh, oh, isso é que é bom!
— Oh, oh, isso é que é mau! Com o gênio dela, às vezes não me dá um níquel. E como eu não trabalho, não tenho o que comer.
— Xi, isso é mau!
— Engano, isso é bom. Eu estava ficando gordo e mole — vê só, agora, o corpinho com que eu estou.
— É mesmo — isso é bom!
— Que bom! Isso é mau. As pequenas não me deixam e acabei gostando de outra.
— Êpa, isso é mau mesmo.
— Mau nada, isso é bom. Essa outra mora num verdadeiro palácio e me trata como um príncipe.
— Então isso é bom!
— Bom? Isso é mau: o palácio pegou fogo e foi tudo embora.
— Acho que isso é realmente mau!
— Mau nada: isso é bom. O palácio pegou fogo porque minha mulher foi lá brigar com a outra, virou um lampião e as duas morreram num incêndio. Eu fiquei rico e só.
— Isso… é bom… ou é mau, Shen-Tau?
— Isso é muito bom. Shin-Fon.

Moral: Nada fracassa mais do que a vitória, e vice-versa.

FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. p. 61-2.

23.9.14

Primavera



Contemplo o rio, que corre parado
e a dançarina de pedra que evolui
completamente sem metas, sentado
não tenho sido; eu sou, não serei nem fui.
A mente quer ser
mas querendo erra
pois só sem desejos é que se vive o agora.
vede o pé de ipê, apenas-mente flora
revolucionariamente
apenso ao pé da serra.



22.9.14



He said "Mr Motherfucker, you know who I am"
And the barkeeper said, "No, and I don't give a good goddamn"
To Stagger Lee
He said, "Well bartender, it's plain to see
I'm that bad motherfucker called Stagger Lee
Mr Stagger Lee"

[amanhã pode ser primavera, pois hoje é aniversário de Mr. Nick Cave - and you better get down on your knees]


17.9.14

Maluf que fez

Bem, Paulo Maluf finalmente teve a candidatura impugnada por comprovada improbidade administrativa em um dos muitos casos pelos quais está sendo investigado; porém, sua inestimável ~contribuição~ para os debates políticos do Brasil jamais será esquecida.

Com vocês, o melhor de Dr. Paulo:




14.9.14

O novo de novo



"Você, que foi pra ruas, com bandeira em punho, acreditando num momento novo pro Brasil, é por você que eu vou continuar na luta e vamos pra ruas sim. Não vamos recuar. Nós queremos acabar com este atraso, porque direita e esquerda são atraso. Nós vamos para a modernidade, vamos para o novo, vamos com a juventude, com as mulheres, com as crianças, com os homens que acreditam que podem mudar."

‪#‎ONovoSempreVem‬
‪#‎JuntosChegaremosLá‬

12.9.14

Não me deixes mais



Só mesmo o Fagner tem ENVERGADURA MORAL pra fazer uma versão dessa música maravilhosa.

[veja aqui a versão original, com o autor, e legendas em português]

11.9.14

Se eu discordo de mim mesma, imagina de vocês.



3.9.14

Acordei com uma dúvida: se os dinossauros ainda estavam vivos, do que era feito o combustível que abastecia os carros no jogo Cadillacs & Dinosaurs?

29.8.14

23.8.14


12.8.14







Não é uma cena de programa de humor, piada, esquete do Monty Python ou algo assim.
É real.

8.8.14



Faltou dizer "por favor"

18.7.14

tudo bem, tal e qual,

e é sempre outra cidade

velha

17.7.14

I Don't Know What I Can Save You From



A última vez que passei por aqui
pensava vagamente em Nietzsche, Deleuze, Derrida
sem nada entender
e aproveitava, como hoje, um azul que o outono traz
(e depois leva pra lá)

A última vez que passei por aqui
pensei exatamente o que eu deveria ter dito
, mas com muitos minutos de atraso
(e nunca mais fez sentido falar)

A última vez que passei por aqui
foram muitas
era tudo diferente, esse prédio, essa casa
isso era assim, aquilo era assado,
nem reparei
na cidade como uma foto antiga
ela cada vez mais nova
eu cada vez mais velha

(ambas um pouco pior)

12.7.14



Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça
Enfrente o mal
Que agindo assim
Será vital para o seu coração

É que em cada experiência
Se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão

Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)

Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer

Não estou dando nem vendendo
como o ditado diz
o meu conselho é pra te ver feliz

8.7.14



"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita"

Mahatma Gandhi [na foto, com o time Passive Resisters, 1913]

4.6.14


ROMERO BRITTO, o rei das cores


"A minha arte é sobre o amor e a alegria."
Existe uma conexão entre um brasileiro que pinta seus móveis e seu carro com aquela estampa inconfundível, de cores vibrantes, e outro que enfeita seu muro, sua rua, sua casa, com o mesmo padrão.

Algo conecta profundamente dois brasileiros cansados do cinza da cidade e do bege sujo da sua pobreza e que procuram reformar o mundo carregando forte nas tintas e padrões, usando uma fórmula fácil, pueril - mas muito eficaz.

Existe sim, uma conexão firme, natural e sincera entre os dois; mesmo que o carro do primeiro seja uma Ferrari de 1,5 milhão de reais e a alegre estampa que enfeita a casa do segundo tenha vindo em forma de lata de panetone, copo de requeijão, ou seja apenas uma imitação.

Essa conexão existe porque tem a mesma origem, a mesma premissa, a mesma intenção. E principalmente, porque em ambos os casos, para seu  juízo estético, romerobrittozar o mundo significa: torná-lo melhor.
“Na condição de criança pobre no Brasil, tive contato com o lado mais sombrio da humanidade. Passei a pintar para trazer luz e cor para minha vida. Minha família era muito pobre. Criar era um refúgio: eu pintava um mundo colorido, diferente do meu”




Foi assim que essa identidade visual infantil, colorida e brasileira, com origem na periferia de Recife, chegou a Miami (nossa ensolarada e cafoníssima embaixada nos EUA), se meteu em galerias respeitadas, em casas de celebridades, fez a meia-volta e voltou pra se espalhar pelo seu país de origem. O bom filho à casa torna: os traços e a cor foram como influência, e voltaram como cópia.


Loja de artesanato local - Olinda, Pernambuco

E - para horror da elite cultural, de artistas conceituais mal remunerados, de designers minimalistas e adeptos do estilo nórdico de decoração - caiu no gosto popular.



E - os síndicos do bom-gosto curtindo ou não, achando que isso é arte ou não** - de um jeito torto, Romero Britto inventou (ou reinventou) a cara de um Brasil mais colorido.

Reproduzida, distorcida e replicada à exaustão por dentro ou fora das casas, em marcas famosas, semi-famosas, em artesanatos, móveis, cangas, panos de prato, pratos e copos, bolos, unhas, próteses dentárias, aventais, a tendência se disseminou de uma forma que nem em sonhos o artista que, quando jovem, pensava em ser diplomata 'para representar o Brasil', poderia imaginar.

A melhor obra do Romero Britto é justamente a que não é ele quem faz.


O avesso do avesso do avesso do avesso do avesso

(*) Galeria de esquizoídolos
(**) Para avançar na discussão estética, recomendo o texto "Por que é fácil odiar Romero Britto", de Rafael Trabasso, publicado no IdeaFixa