9.3.12

O futuro não é mais como era antigamente



Nos traçados dos dias
O mundo se
Consome
Nas trompas do tempo
Perdemos
Nossos gestos
Em leitos apressados
Abandonamos
O amor: mito incongruente,
A fome das máquinas
Retalha
Nossas unhas
Tábuas milenárias
Nos proíbem
A languidez das praias
Gotejamos a vida
“burguesmente”
Pelas fissuras
Da Morte

- Roberto Piva

7.3.12

Over and over again



A arte é a infância. É ignorar que o mundo existe e criar de novo. Não é destruição o que encontramos diante de nós, mas sim não encontrar nada acabado. Puros impossíveis, puras tendências. E depois, de repente: ser plenitude, ser Sol de Verão! Sem dizer nada, sem querer. Nunca acabar, nunca conhecer o sétimo dia. No começo, Deus era demasiado velho. Tinha parado no sexto dia. E não no milésimo. Mas hoje não.

6.3.12

Você teve sorte,



Poderia ter acontecido.
Teve que acontecer.
Aconteceu antes. Depois. Mais perto. Mais longe.
Aconteceu, mas não com você.
Você foi salvo pois foi o primeiro.
Você foi salvo pois foi o último.
Porque estava sozinho. Com outros. Na direita. Na esquerda.
Porque chovia. Por causa da sombra.
Por causa do sol.
Você teve sorte, havia uma floresta.
Você teve sorte, não havia árvores.
Você teve sorte, um trilho, um gancho, uma trave, um freio,
um batente, uma curva, um milímetro, um instante.
Você teve sorte, o camelo passou pelo olho da agulha.
Em conseqüência, porque, no entanto, porém.
O que teria acontecido se uma mão, um pé,
a um passo, por um fio
de uma coincidência.
Então você está aí? A salvo, por enquanto, das tormentas em curso?
Um só buraco na rede e você escapou?
Fiquei mudo de surpresa.
Escuta,
como seu coração dispara em mim.

Por um acaso", Wislawa Szymborska - via Emilio Fraia

27.1.12

Alguns edifícios por dia



mas mesmo que o mundo nao gire
na velocidade que eu queria
alguns edifícios por dia
desabam dentro da avenida
e salva-se a filosofia

-- Nei Lisboa

14.1.12

2012: love everybody, wake up and fight


WORK MORE AND BETTER
EAT GOOD
TAKE BATH
CHANGE SOCKS
KEEP RANCHO CLEAN
STAY GLAD
DREAM GOOD
BANK ALL EXTRA MONEY
HAVE COMPANY BUT DON'T WASTE TIME

PLAY AND SONG GOOD
DANCE BETTER

LOVE EVERYBODY
MAKE UP YOUR MIND
WAKE UP AND FIGHT

Faço minhas as resoluções de ano novo do Woody Guthrie, 1942.

70 anos depois continuam válidas; e que venha 2012!

25.8.11

IF YOU'RE GONNA BE DUMB, YOU GOTTA BE TOUGH



"Deve ter havido alguma época na história da humanidade em que não ser idiota era uma tarefa fácil. Bastava, am, não nascer idiota ou algo assim. Não é o nosso caso. Hoje é preciso muita manutenção (...) Foursquare, Moleskine, Starbucks, stand up, elogiar campanha publicitária, usar objetos de uso pessoal cuja logomarca ocupe mais de 5% do produto, postar fotos especificando a loja em que comprou cada peça, sair de galera (grupos de mais de cinco pessoas), frequentar a Casa do Saber, passar menos de seis meses em outro país e dizer que morou no exterior, consertar o português dos outros sem olhar o próprio rabo, falar de coisas caras com gente que não sabe ao certo como vai pagar o aluguel etc.

Repare que estou citando apenas coisas bem corriqueiras, bem banais mesmo da gente fazer. Por isso digo que está fácil demais ser idiota: há todo um time dos piores e mais metidos cérebros da nossa geração tentando nos convencer de que a idiotice é quentinha e macia. A lama obviamente sempre foi quentinha e macia."

--
[Preciosidades por Juliana Cunha, garota que mata por bem menos]

15.6.11

A Hard Rain's a-Gonna Fall


Puyehue, eu super te entendo.

7.6.11

Something Beautiful


alguma coisa entrou em erupção no chile ontem à noite
cancelando viagens da classe média a bariloche
e algum outro dano em plantações ou coisa assim, no segundo parágrafo.
claro que enquanto isso,
em algum lugar do planeta uma monarquia deve estar sendo ameaçada
e uma transexual ser a mulher mais bonita do mundo em 2012
não nos causará mais nenhum espanto (somos tão civilizados).
é claro, estamos à salvo: se um alienígena quiser destruir a terra,
a negociação de paz será devidamente conduzida
por uma sedutora e espirituosa miss sãopaulo;
podemos dormir tranquilos
enquanto as cinzas de um velho vulcão
estão cobrindo algo que nem soubemos
se era importante.



18.5.11

farol no mar da incerteza



Quando soube que meu pai tinha levado, nos seus últimos trinta anos, uma vida dupla, sucumbi à curiosidade e averiguei o nome de sua outra mulher e o endereço do seu outro lar. Toquei a campainha com uma desculpa qualquer – uma inspeção da companhia de seguros, ou algo assim – e uma mulher alta e equina me convidou a entrar. Na hora não pude acreditar no que via: o interior daquela casa era uma réplica perfeita daquela que havíamos compartilhado meu pai, minha mãe e eu; os mesmos móveis, os mesmos sofás, com o mesmo estofamento, distribuídos exatamente da mesma forma, e até os mesmos quadros, os mesmos pratos de porcelana e as mesmas esculturas de gesso.

De volta à casa, aquela noite, me dediquei com malévolo prazer a desordenar os móveis e a revolver as coisas nas estantes. Minha mãe acompanhava perplexa meus movimentos, mas eu não lhe disse nada da minha visita, e jantamos em silêncio.

De repente, lembrei me da vez em que, ainda menino, quebrei o jarro chinês que flanqueava o divã. A zanga do meu pai, ao saber do acidente, me pareceu, naquele momento, desproporcional. Agora, podia entendê-lo. Podia inclusive imaginá-lo no dia seguinte, destruindo, propositalmente, o jarro igual, só para conservar a simetria com o seu outro lar.

[Eduardo Berti. Traduzido por Patrícia Melo // via Dias felizes]

21.3.11

Resurgir: 再現



Peço a esse lugar pra acalentar
quem caiu no ar porque perdeu seu lar
Nos dê força e movimento,
motivos pra estar vivendo

[por isso não fale do pouco tempo
que falta para o fim dos tempos]

* * *

(*) versos soltos de uma música que procurava há anos

11.3.11

Copacaba, esta semana o mar sou eu



Um terremoto destruiu o México esta manhã
Eu fui promovido
Eu estou impaciente com a Grande Complicação
e com o saco cheio de ouvidos
ouvindo os meus demônios intestinos
É um milagre ainda estarmos vivos

Hoje eu ouvi sua voz honrada ao telefone
Casmurro, careca, e escreveu um livro
Ele tá velho demais pra virar um mito
Eu também tô sonhando sozinho
Não é um milagre ainda estarmos vivos?
É um milagre

Uma imagem apagada, um tabu
que um leve tremor pode destruir
para então não haver mais nada em que pensar
antes de dormir antes de acordar
Não é um milagre ainda estarmos vivos?


["Tabu", Fellini, 1986]

26.1.11

Piano aposentado muda-se pra Miami

Pianos don't grow old gracefully

[Piano aparece em banco de areia no meio do mar em Miami]

Tudo isso é tão poético que dispensa explicações. Enquanto isso, nos pampas...


Na verdade nada é uma palavra esperando tradução.

25.1.11

Love me, tender



o amor fez mais uma vítima esta noite, pelo visto.

3.12.10

O tempo no táxi



- frio, calor, chuvoso, analógico e digital.

17.11.10

Milonga sentimental



hoje já faz um ano. foi assim, sem despedida, sem muito choro, sem explicação, sem nem mais tocar muito no assunto. era quase que esperado, implicitamente sabido, uma doença abstrata, inominável, indefinida; uma fuga do hospital que de tão cinematográfica parecia mais uma daquelas histórias levemente inverídicas com as quais estávamos todos acostumados. mas também estávamos mais que acostumados com seus freqüentes períodos de fraqueza, de recolhimento, semanas de isolamento e recuperação; e com seu habitual retorno à vida, à cidade, ao trabalho. e por aqui, sempre gritando ó de casa, trazendo presentes de rodoviária, revistas, cigarros. e por isso foi tão estranho receber a notícia, no meio da noite, que seu coração não batia mais.

tipo: ué.

[lentamente as coisas vão voltando pros lugares, os perfis de orkut vão perdendo o *luto*, a gente passa a se acostumar com a ausência, a não telefonar em fevereiro nem no dia dos pais nem no natal, nem pra comentar as agitações políticas e culturais e os sinais do fim do mundo, a não contar com ele nas festas em família, e o mais difícil, a viver sem seus conselhos - e não foram poucos os que precisaríamos este ano; e também passamos a ver que a família vai se virando bem e que afinal de contas, estamos relativamente bem encaminhados.]

mas eu fiquei um ano simplesmente sem saber o que dizer sobre isso.

[tristeza é obviedade. saudade é redundância.]

e foi um de seus velhos amigos, de um dos mais antigos que eu me lembro, aquele das partidas de pôquer semanais na cozinha de la abuela, que deixou comentado em uma foto no facebook exatamente aquilo que eu diria se pudesse, em uma última mensagem:

Te moriste, pelotudo

sem uma tradução razoável,
diz muito de como é ser o que somos;
argentinos.
pelotudos.

13.11.10

a última viagem







Já tem quase um ano e só agora me animei a postar esse desenho. Ele faz parte do projeto Cadernos de Viagem* e retrata a viagem que fiz à Minas Gerais em novembro passado, para o enterro do meu pai. Posso dizer sem sombra de dúvida que, apesar de simples, foi o desenho mais difícil que eu fiz.

* * *

[Cadernos de Viagem é um projeto de sketchbooks itinerantes. São 110 artistas de diferentes cidades, com um tema em comum. A organização é da IdeaFixa : http://www.ideafixa.com]

26.9.10

Who knows, who cares



- Aren't you afraid of dying?
- Why be afraid?
- You won't exist.
- So?
- That doesn't terrify you?
- Who thinks about such nonsense? I'm alive. When I'm dead, I'll be dead.
- Aren't you frightened?
- Of what? I'll be unconscious.
- I know, but never to exist again?
- How do you know?
- It doesn't look promising.
- Who knows what'll be? I'll either be unconscious, or I won't. If not, I'll deal with it then. I'm not gonna worry now.

- Mom, come out.
- Of course there's a God, you idiot. You don't believe in God?
- Then why is there so much evil in the world? On a simple level, why were there Nazis?
- Tell him, Max.
- How the hell do I know? I don't know how the can opener works.

(Hanna e suas irmãs, 1986)

Logo de manhã, bom dia?


Não, nem sempre acordo assim de bom humor.

Urubu é o novo preto



Pixação, ativismo, podridão, analfabetismo:
"Liberte os urubu" é a obra com mais significado da Bienal 2010

18.9.10

o futuro do passado


quando era criança fui num apartamento que tinha telefone no banheiro (ah os anos 80); achei tão chique! Imediatamente virou meu sonho de consumo. lembrei disso hoje - pena que não faz mais. o. MENOR. sentido.

3.9.10

Pragmatismo vem de berço

minha mãe abrindo crediário na renner;
atendente: 'casada?' 'sim';
'tem filhos?' 'não'
eu: 'mãe!'; 'ah é, tem ela.'

justificativa: 'ah, a moça perguntou se eu tinha filhO'

15.8.10

a raça humana é uma semana

então é domingo de novo. enquanto algumas pessoas queimam as pestanas na tarefa de descrever, filmar ou poetizar o cotidiano de gente comum, eu cumpro minha parte, sendo comum. churrasco de sábado, macarrão de domingo, genipapada e alguns amigos bons, isso não quer dizer nem menos nem mais; desde a fulana que gasta o domingo de bobs até o cicrano que está criando as bases da tecnologia que vai salvar a humanidade de uma eminente invasão de godzillas; ou beltrano, que pensa a melhor maneira de filmar a catástrofe, para todos nós vale o conselho:



boa semana pra todos.

15.7.10

Tá tá tá / o mundo tá no fim


tanta mulher / correndo atrás de mim.


Bob Dylan no comando das carrapetas... ok, é mentira.
Mas no mundo do faz-de-conta, aposto que o disco na vitrola é esse aqui:

Marcha do Cachorro (A Vez do Osso)
ai ai, eu morro: chegou a hora do osso morder o cachorro.

13.7.10

O rango no fogão

foto Thiago Bignotto

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


-- Adélia Prado

30.6.10

Pé no freio e mãos bem firmes no volante



Feliz dia do Caminhoneiro a todos e a tudo que já me atropelou, e ainda mais aos que me deram carona, pra sempre obrigada.

* * *

Trilha sonora: Cowboy do Asfalto

27.5.10

lost and found

ok só para provar que, apesar da pastinha de 'tubarões' estar alocada dentro de uma outra 'obsessões' [ c:\minhas imagens\obsessões\tubarões], esta é apenas uma delas. a favorita. porém eu tenho sim no disco rígido outras obsessões imagens que podem ser do agrado geral. de cara, penso logo em aumentar a audiência através de alguns pesca-trouxas assuntos intrigantes ou, melhor ainda, aquelas palavras-chave que a gente sabe que tdo mundo curte, tipo:

cachorrinhos fofos


histórias infantis edificantes


restart, cine, NX Zero


travestis


e o final de Lost


bem, é isso gente, Lost acabou. alguns estão mortos, outros estão morrendo, outros ainda vão morrer. assim como a humanidade inteira por sinal - então qual é a grande novidade, JJ? mais uma vez se aplica a teoria do meu amigo Dr. Pessoa: no fim, dá tudo na mesma. aliás, o que me lembra uma coisa...

tubarão de saideira, porque é pertinente, afinal.

18.5.10

TUBARÃO
existem há 450 milhões de anos, sem grandes alterações, o que sugere um bom nível de adaptação e evolução. Ocupam desde os mares tropicais aos oceanos Ártico e Antártico.



1. com olfato privilegiado, percebem uma gota de sangue a 300 m de distância em pleno oceano;

2. ouvem o som de um peixe nadando a 650 m;

3. os quimio-receptores de sua pele podem determinar se há substâncias nocivas na água;

4. suas linhas laterais são capazes de captar vibrações, correntes, mudanças na temperatura e pressão da água;

5. a capacidade de perceberem ligeiras mudanças na corrente elétrica do ambiente possibilita a navegação em mar aberto guiando-se através do campo electromagnético da Terra;

6. são providos de várias fileiras de dentes de reposição. Quando um dente é perdido, o posterior se move para ocupar o lugar;

7. a maioria dos tubarões precisam nadar sem parar, caso contrário afundam e/ou morrem por asfixia.

8. o deslocamento constante origina um enorme gasto de energia e uma conseqüente necessidade em se alimentar constantemente, por isso sua grande voracidade.

(*) Galeria de esquizoídolos

28.4.10

no fim dá tudo na mesma



"mundo virtual pode reabilitar paralíticos", hm, mas pode fazer um estrago em paranóicos, que nossasenhora. // toda vez que chove a internet fica lenta. será o tráfego de dados? o paulistano não aguenta mais. / paulistano aliás, só fica indignado com o trânsito. outro dia um viaduto caiu em cima de um carro e o comentário dos portais: 'vai congestionar mais hoje' // café e aspirina são a base da civilização moderna / da pós-moderna é uma dose a mais // não vamos mais dizer 'ir para a geladeira' mas sim 'tirar um período sabático' // a verdadeira explicação do dualismo prático e da igreja do caraoucoroismo não cabe aqui; mas posso resumir em 'ser ou não ser'. aliás, // o mike tyson também se auto-define um cara pacífico: "sou um cara legal (...) às vezes quero ficar sozinho, por isso perco a paciência" / te entendo mike, #tamojunto. // plus ça change, plus c’est la meme chose, como diria (mas não disse) charles aznavour.

O amor e o poder

- aninha, sua mãe pediu a cadeira emprestada
- ah não! eu sento nela de manhã pra por meus ANÉIS.
- pô aninha, mas sua mãe...
- TÁA, tá bom. vou sem anéis.

26.4.10

Que droga é essa?



eu sou do tempo que criança bebia vinho; minha vó e essas propagandas são do tempo em q isso tudo era legalizado: http://tinyurl.com/5888xm

O SESC e eu

um caso de amor. eu pela piscina, shows e sanduiches de berinjela e abobrinha. ele, bem, demonstra de outra maneira, digamos:

Eva Uviedo // A artista gráfica trabalha em dezenas de revistas e jornais de São Paulo. CDteca da Sala Leitura, 2º andar. Livre para todos os públicos. Grátis. De 07/04 a 30/06. Terça a sexta, das 13h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30. SESC Pinheiros



Ilustração para Revistas e Jornais
Bate-papo sobre o processo de receber um texto (jornal e revista) e criar um trabalho de ilustração a partir dele. Os convidados trazem trabalhos e conversam com o público. Com Eva Uviedo, Celus e Kako. 200 vagas. Inscrição livre até o limite de vagas. Sala de Leitura, 2º andar. Não recomendado para menores de 14 anos. Grátis. 05/05. Quarta, às 20h. SESC Pinheiros

16.4.10

A qué venimos, si no a fracasar?



A qué venimos si no a fracasar,
A qué venimos si no a caer?

Escapaba con personas mi amada,
Enfriar y negar el querer.

A qué venimos si no a fracasar,
A qué venimos si no a caer?

Castigado por tu padre,
Y sollozaba madre,
Egoísmo sentiste en tu ser.

A qué venimos si no a fracasar,
A qué venimos si no a caer?

Estrellaste en mil pedazos,
Con tus últimos fracasos,
Y pensaste en ser o no ser.

A qué venimos si no a fracasar,
A qué venimos si no a caer?

* * *



* * *
ou algo assim


Jonathan Richman en la Sala Apolo de Barcelona (10/03/09) // 36'55"

15.4.10

Se eu quiser falar

- Ian, como é que você fala com Deus?
- hm... uso o céu-lular. quer saber como eu falo com o Diabo?
- como?
- uso a infernet.

[Ian, 10, e sua avó, discutindo teologia e tecnologia]

6.4.10

é só o que posso prometer



(por John Baldessari)

mixing memory and desire



APRIL is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.
Winter kept us warm, covering 5
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
And went on in sunlight, into the Hofgarten, 10
And drank coffee, and talked for an hour.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke’s,
My cousin’s, he took me out on a sled,
And I was frightened. He said, Marie, 15
Marie, hold on tight. And down we went.
In the mountains, there you feel free.
I read, much of the night, and go south in the winter.

[t.s. eliot, nunca te li, sempre te amei]

* * *
para espantar formigas:
cravos espetados em um limão, sachês de pimenta ou coentro, pó de café, detergente.
ou adotar um tamanduá.

* * *
acredita no que eu digo? ouve aí.
* * *
post randomico #927956553

20.12.09

aê 2009, foi demais...


...vamos ver 2010.

18.12.09

Life is sweet

And the livin' is easy.



[Hollywood inventor Joe Gilpin riding motorboard-motorized surfboard.]

17.11.09

Atingindo o vazio extremo


Atingindo o vazio extremo
conservar−se firme no repouso
as dez mil coisas confluindo
eu assim as contemplo no refluxo:
eis que as coisas no florescimento
retornam uma a uma à raiz
o retorno à raiz soa:
repouso
isto se diz:
retornar ao destino
o retorno ao destino soa:
eternidade
conhecer a eternidade soa:
alumbramento
não conhecer a eternidade é tresloucar no azar
quem conhece a eternidade
torna-se tolerante
então justiça
justiça
então mediação
mediação
então céu
céu
então Tao
Tao
então duração
dissolvendo−se o corpo
não se corre mais perigo.

[Tao Te King, Lao−Tsé - cap. XVI]

15.10.09

ian, 9, vendo uma foto de feridos na faixa de gaza no jornal:

"olha, a Zombie walk..."
"hm, não, esse é de verdade."
"..."

22.8.09

this is life

video

and everything is all right.

19.8.09

e os dentes da paisagem


Diário de Bernfried Järvi, 10 de Junho de 1978
Há vários dias que as nuvens insistem em mostrar os dentes e morder tudo à sua passagem. Assim, de dois guarda-chuvas que comprei recentemente na Baixa, restam os ossos.

(rui manoel amaral)