21.12.08

é ritmooooooo


é ritmo de férias

pois, me vou. rumo ao intrigante condomínio krakatoa, em um distante balneário ensolarado, com o carro cheio de livros, discos, queridos e claro, vários trapinhos elegantes e um raibanzão jackie o, que é pra esse mundo ver melhor.

se cuidem, não façam nada que vocês não fariam, nos vemos em 2009.

16.12.08

only stupid words


stupid memory
must you bring up these things?
stupid memory
can i forget all of that?
all of that crap


ok. sinto dizer que de 30 Gb de mp3 perdidos - da letra A até a M - o easy recover conseguiu recuperar apenas UM: 'O Gosto Novo da Vida' [1981], do Lula Côrtes. Seria alguma mensagem? Ou sinal?

* * *

esqueça os mortos que eles não levantam mais.

Fuck Yeah Sharks!


Topics: sharks, are, awesome. Meu blog favorito, pra sempre.

8.12.08

en la absurdidad de una fraccion



"Radiohead é muito líquido. O som é muita água e o texto é muito obscuro, muito 'não quero que você me entenda'. Mas é um grupo refinado e caprichado. Lindo de se ouvir. Acho que não vou ao show da Madonna, mas ao do Radiohead eu quero ir."

[Caetano Veloso, em seu blog]

É tudo muito caprichadinho mesmo, Caetano; então nós vamos, né? Legal.

* * *
Aliás, pra quem ainda não ouviu esta linda versão de 'High and Dry' com os cubanos El Lele de Los Van Van, posso dizer: parem tudo e ouvão já. TÔBCECADA.

A faixa foi pescada do CD Rhythms Del Mundo, lançado pelo grupo Buena Vista Social Club em 2006. Estrelas da música cubana como Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo encontram Coldplay, Sting, Jack Johnson, Maroon 5 , Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, entre outros. Bizarro. Não ouvi o resto, mas esta faixa é pra grudar. Não estranhem se me encontrarem na chácara do jóquei, em março, ainda cantando 'yo bibiréeeeeee / en la soledaaaaaaaaád'

5.12.08

solo nos miramos.


Hace tiempo debimos conocernos
pero yo lo había olvidado
y debió pintarse de azul para que le reconociera.
(Ayer lo encontré de pie mirando al cielo)

[coisas de luis gabriel pacheco, ilustrador mexicano genial]

sempre lembro do coelho da alice nesta época do ano.

2.12.08

Always and evermore



quem sabe, eu passaria aqui vez ou outra apenas pra contar umas coisas, de todo coração opinar veementemente, soltar um ou dois desabafos, ou desaforos; dizer ai, de como não gosto de tanta cor na roupa, de rostos hirsutos, enfeites natalinos com música, ou que não ligo nem um pouco pra movimentação de planetas no céu, e que muito pior do que não ver poesia nas coisas, é ver demais onde NÃO TEM.

mas o tempo é curto e a chuva, vem, into my arms, oh Lord, into my arms.

20.11.08

Enrosca em meu pescoço



daí que eu ganhei um colar de polvo. veja bem, agora eu sou uma pessoa que tem um colar de POLVO; vocês bem sabem o que isso significa. esse fato muda uma porção de parâmetros, porque eu nunca mais vou tirar o colar de polvo nem me preocupar em aumentar minha já suntuosa coleção de colares. em qualquer lugar, quem quiser me reconhecer, é fácil: sou a que está com um colar de POLVO. não facilitou?

18.11.08

sobre o amor

os passarinhos aqui do bairro andavam meio atrapalhados ontem, viu. estávamos tomando a fresca da tarde quando na rua um carro atropelou uma pomba. ouvimos claramente um barulho de ossos e penas quebrando - mas como eu sabia que era esse o barulho antes de olhar, se eu nunca soube o som que isso tem? sei lá.
***
pombas são passarinhos?
***
-- não olha, não olha.
***
agora ninguém chora mais.

16.11.08

outra vez domingou, meu amor



então desenterraríamos velhos elepês e eu diria ah você também tem esse? que coincidência mais feliz // e também teríamos daqueles quadros de cortiça cheios de fotos sem medo, porque já passou tanto tempo, e parece bom envelhecer // daí tiraria da manga algo surpreendentemente novo, uma história, uma frase, uma mentira // ou algo gravado lá pela década de, não sei / e eu pensaria - ainda que um pouco desconfiada - mas como é que eu nunca soube disso? ou uma maneira de dizer, decentemente, como encontrei o amor da minha vida na zombie walk // o som de chinelos na escada / nossas senhas comuns configuradas / eu trago o livro, você me lê // e a vida, quem sabe faz ao vivo / enquanto você faz planos,

/ faço junto do piano estes versos pra você.

12.11.08

tempo para matar e criar,

tempo para matar e criar,

antes do chá com torradas.

4.11.08

o abominável homem autobiográfico

“O pior encontro casual da noite ainda é o do homem autobiográfico. Chega, senta e começa a crônica de si mesmo: ‘Acordo às sete da manhã e a primeira coisa que faço é tomar o meu bom chuveiro’. Como são desprezíveis as pessoas que falam no ‘bom chuveiro!’ E segue o parceiro: ‘Depois peço os jornais, sento à mesa e tomo meu café reforçado’. Ah, a pena de morte, para as pessoas que tomam ‘café reforçado!’”

(Antonio Maria em “Com vocês, Antônio Maria”)

- Bob também te acha chato.

31.10.08

para melhor atendê-lo


São Paulo / Trânsito BOM / 0Km de congestionamento; tá certo que é uma da manhã, mas gente. cadê o otimismo? // sonho de consumo 2867655/08: sofás Chesterfield infláveis // confissão: há tempos quero comprar dados, mas tenho vergonha de chegar pro cara da loja e perguntar 'oi, você tem dado?' // não perca tempo: conheça nossos amigos do fundo do mar // além do kit de primeiros socorros, tenha sempre um kit anti vampiros. nunca se sabe né // festinha animada com Arnold Schwarzenegger, 1977// a.m.o. / sonho de consumo 87462465/08: banheira na sala // acabei de encher minha própria sala com teias de aranha // biba méjico! acá está todo pruento para conmemorarse: lo raluín y el dia de lo hablarse portuñol. Y usted?

26.10.08

Minha alma chora



Comovo, não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho,
Não fico calado, não fico parado, não fico quieto,
Corro, choro, converso,
E tudo mais jogo num verso
Intitulado
Mal secreto.


[Jards Macalé no Teatro Municipal na Virada Cultural 2007 - melhor show que já vi. de chorar de emoção]

21.10.08

tempos modernos

RB. says (6:50 PM):
no profile diz q ficou solteiro(a)
eef says (6:50 PM):
facebook?
RB. says (6:51 PM):
é
eef says (6:51 PM):
gentem
mas agora isso?
eef says (6:51 PM):
eam
eef says (6:52 PM):
Você deve ser amigo de Fulano(a) para ver seu perfil completo.
po, eu nao sou amiga
RB. says (6:52 PM):
Fulano(a) está listado como solteiro(a). - Comentar
eef says (6:52 PM):
'comentar' hahahahahahha
RB. says (6:52 PM):
o mundo virou uma coisa ridícula
eef says (6:52 PM):
por isso vc ta aqui ne
comentando
RB. says (6:53 PM):
em pvt
eef says (6:53 PM):
em vez de repercutir, SHARE THIS.

20.10.08

o importante é saber se portar

o importante é saber se portar
you don't know me at all

saber pra onde ir, e chegar lá.

14.10.08

Jamais

outono

não me perco de mim

mais.

[Don't let hurricanes hold you back
Raging rivers or shark attacks
Find love, and give it all
away
.]

11.10.08

A louca dos gatos

Nem Spectroman poderá intervirMostra Sesc de Artes 2008
Mostra Sesc de Artes 2008
Mostra Sesc de Artes 2008
Nas paredes de aço do elevador D do Sesc Pinheiros, dentro da Mostra Sesc de Artes, fica lá até dia 18. "Que lindo, podia ficar pra sempre" disse uma usuária da unidade para a ascensorista; eu meio que me emocionei. Difícil de fotografar, por causa do reflexo; mas ao vivo ficou bem legal, posso garantir. veja a louca dos gatos inteira, aqui.

Ou lá: SESC Pinheiros [Rua Paes Leme, 195 Tel.: 3095-9400 email@pinheiros.sescsp.org.br
De 8 a 18, terça a sexta, 7h às 22h. Sábado, 10h às 21h. Domingo, 10h às 19h]

4.10.08

Literatura de elevador

Amanhã, dia 08/10, começa em São Paulo a Mostra Sesc de Artes. De periodicidade anual, em 2005 o tema era o Mediterrâneo, em 2003, Latinidades, em 2007, Circulações.
Este ano a proposta é Multiplicidade.

Com a palavra, os organizadores:
“A soma de experiências vividas nas edições passadas levou a equipe à questão-síntese da mostra: quais são os lugares da arte contemporânea? Percebemos que são vários; Vimos que a arte se manifesta nos espaços tradicionais e na ocupação de espaços não usuais. (...)

Pensando no deslocamento dos espaços tradicionalmente dedicados às artes e no estímulo a diferentes níveis de fruição, a edição 2008 da Mostra Sesc de Artes traz como elemento inspirador a busca por ações artísticas em distintas dimensões: desde ocupações em macro escala, dialogando com a arquitetura das unidades e espaços urbanos, até ações de pequeno porte, que valorizem ocupações não-usuais.”
Tudo isso é pra dizer que vai ter manifestações artísticas para todo lado. Bebedouros, elevadores, guardanapos, paredes, tetos, chão:
“É muito importante você poder se deparar com uma obra de arte na rua, que não tenha aquela aura de monumento, algo distante das pessoas.”
Aí falou minha língua. Arte acessível, desmistificada, fora da moldura, desfrutável, gostosa, espalhada por todos os lugares, macia como um gato? Adoro. Pode passar a mão, encostar a bunda, pisar em cima, derrubar água, levar pra casa? Pode.

Daí que o Sesc convidou a escritora e amiga Clarah Averbuck a “libertar o seu texto do suporte livro, para que seja usado em meios não-usuais”; e ela me indicou pra ilustrar, oba.

E o texto que ela escreveu pra ocasião fala coisas que eu muito concordo: de como São Paulo é uma merda mas é legal, e de como a gente não troca isso aqui por nada, de como ficar em casa é uma delícia, e tem os gatos e violão e delivery.

E no desenho tem tudo isso e tem o sofá vermelho alado, e tem prédios flutuantes, e ficará estampada por dez dias nas paredes do elevador de aço do Sesc Pinheiros e vai ficar lindo lindo lindo e eu quero que todo mundo vá lá ver, até porque no elevador do lado vai ter uma ilustra do meu amigo e sócio Kerges que com certeza também vai ser foda; e de quebra bora comer um sanduíche de berinjela na Comedoria por módicos quatro reais - uma verdadeira obra de arte acessível a todos.

e mais:
- veja o que já rolou nesses 12 anos de Mostra
- fique de olho nos projetos com curadoria do Ricardo Silveira, que entorna poesia no chão... e nos bebedouros, ônibus, seu bolso, celulares.
- tropece com harmonia na prosa de escada, com Chico Mattoso, Joca Reiners Terron e Santiago Nazarian e ilustrações de Andres Sandoval, Valéria Marchesoni e Alexandre Matos.

Negózdi Sesc. Artes visuais. Intervenção. Reflexão em meio ao fluxo.

Me segura, eu tô ADORANDO.

25.9.08

para sonhar com o tubarão que sonha



Ontem rolou a segunda edição do Pecha Kucha Night/SP no Itaú Cultural. O evento, linkado ao ciclo de eventos Invisibilidades, tinha como foco ficção científica brasileira. Desta vez não fui, mas mandei este powerpoint nonsense para ser pano de fundo da leitura de trechos inéditos do romance Mnemomáquina de Ronaldo Bressane.

[intuía que essa habilidade meeting empresarial um dia ia servir pra algo melhor que explicar metas e cronogramas; será?]

+ veja mais e melhor
- Mnemomáquina
- Vale do Zuma (apresentado na PKN/SP I)
- As coisas todas, explicadas
Vindo pra casa de táxi eu bocejava TANTO que o taxista mandou um 'boa noite, viu, BOM DESCANSO'. isso às OITO da noite.

23.9.08

vou apresentar alguns personagens da minha vida:

1. o pior cliente do mundo: fica na vila olímpia e eu gastei cem paus de táxi; pagava mal. no meio do trabalho elas resolveram 'ah, não vamos usar estampa nessa coleção'. você nos devolve as referências? pelo CORREIO.

2. o óculos mais zicado do mundo: paguei 75 reais e guardei na bolsa. quando passei na catraca do ônibus ele BRECOU. quebrou, não tem conserto.

18.9.08

Everything is gonna be alright


Noto q está tudo bem na minha vida quando deleto o e-mail do Horóscopo Personare e abro o de ofertas Tok Stok, em vez.

10.9.08

Nossa Senhora do Livro Lançado

nossa senhora do livro pronto

Er, oi. Só para contar que o livro Nossa Senhora da Pequena Morte [composição à quatro mãos - textos Clarah Averbuck + arte Eva Uviedo - batucada em máquina de escrever e embalada em LPs antigos] ficou pronto. E pronto, no caso, significa prontíssimo, terminado, revisado e impresso, em tiragem limitada, numerada e assinada, lançado pela Editora do Bispo (taí seu bispo que não me deixa mentir). Tem desenhos, colagens, coisas escritas à máquina, outras à mão, muita fita crepe, mulheres-polvo, vitrolas, coelhos, café, cigarros, piadas internas, muito vinho de caixinha, todas aquelas coisas. Tem mais coisa aqui, espero que gostem.

29.8.08

sobre amor e outros peixes

the little book of love and fishes

segundo o monty python, peixes deixam tudo melhor.

25.8.08

muito pouco sangue

quarta-feira // elizângela me cobrou uma coca-cola e meio quilo de café às 21:11, dois anos atrás - e ainda vive ao meu lado, colada na parede. então quem sabe ainda algo persista. mas pra que ficar triste por um chinês, por um rim, ou comprar mais um maço de cigarros sendo que não acabou? inútil esforço; faço mais não.

* * *

quinta-feira // cinco reais e trinta e um centavos - como tudo aumentou! - e uma enorme preguiça de chorar. gosto da idéia: em madagascar (ilha, ilha do amor) desenterram os mortos e os levam pra dançar, que tal? o comprovante emitido por elizangela tem proporção áurea e convive com vivos e mortos sem dor. já eu, não. não?

* * *

sexta-feira // o futuro foi ontem? descansei.

* * *

sábado // 
como a pele do mar:

* * *

domingo // comprei cigarros
, e ainda tinha um maço cheio, 
outra vez.
no raro silêncio da tarde, ao longe ouço um coro
cantar parabéns.

* * *

p. s. : que solitário e humilhante pode ser o amor, hein?.

23.8.08

é nóis no TATE


(it's we on the tape, ops tate)

Dear eef.
Tate Modern is delighted to inform you that your photograph
www.flickr.com/photos/evauviedo/478588570
has been selected by the judges to be included in the exhibition photobook, Street or Studio.

Your image will also be shown in a slideshow in the gallery for the remainder of the exhibition and archived on Tate Online as part of the exhibition's website. In the book, your image will appear with its title, your name and the address of its Flickr page. Finally, once the book is produced, you will receive a copy. We’ll let you know more about how to receive it nearer the time

Congratulations on the selection of your photograph.

We look forward to hearing from you soon.

Best wishes,

All at Tate

11.7.08

as coisas todas, explicadas



, de jeito que a Board of Directors possa entender.

[Projeto apresentado na primeira edição do Pecha Kucha Night-SP, como parte do Simpósio Emoção Art.ficial 4.0 – Emergência! no Itau Cultural.]

19.6.08

JOHNNY, from Massachusetts




JOHATHAN RICHMAN tinha boas maneiras, bons amigos, todos os dentes e um emprego decente; o problema foram as influências. No caso dele, o Velvet Underground. Foi o que fez ele se mudar pra New York em 1969, passar semanas dormindo no sofá do empresário do Velvet, trabalhar de office-boy da Esquire, tentar viver de música e falir. De volta a Boston e munido da musicalidade raivosa de um office-boy frustrado, se juntou aos amigos David Robinson, Rolfe Anderson, John Felice, Jerry Harrisson e formou a banda que viria a ser a precursora do punk-rock, The Modern Lovers. A formação durou menos de dois anos, mas nesse meio tempo chegaram a gravar um disco (The Modern Lovers), produzido pelo John Cale, que só foi lançado três anos depois da banda ter acabado. Ainda assim, serviram de influências para outros músicos, tipo Violent Femmes e os Sex Pistols. Após o fim do grupo, o tecladista Jerry continuou ganhando a vida tocando numa bandinha iniciante, os Talking Heads; o baterista David integrou The Cars; e Jonathan montou uma banda completamente diferente, com outros integrantes, com a qual gravou um disco, Jonathan Richman & The Modern Lovers, em 1977. De lá pra cá, entrou em tudo que é onda (certa ou errada), de folk a versões em espanhol de seus sucessos, de country a progressivo, passando pelo clássico 'período sabático' que a muitos cai tão bem.

Mas nem todo seu currículo, vida e obra são suficientes para entender a obra-prima performática que pode ser vista no vídeo abaixo. Srs., com vocês, todo o charme, carisma e descontração de Mr. Richman:



Melhorou meu dia.

(*) Galeria de esquizoídolos

3.6.08

13.5.08

Like a drunk in a midnight choir


(pássaro repousa sobre fio de alta-tensão na Argentina;
ao fundo, céu escurecido pelas cinzas do vulcão)

26.4.08

há uma sutil diferença entre vivos e mortos



Os mortos não vivem mais. Vivos não descansam em paz. Mortos não saem dali. Ninguém sai vivo daqui. Vivos não sabem viver. Mortos souberam morrer. Há vivos mortos. Há mortos vivos. Mortos não mais importam. Vivos não mais se importam. Vivos são quentes; mortos são frios. Vivos estão cheios. Mortos são vazios. Vivos vêm e vão, ouvem, sabem e vêem, ou não; pensam e fazem, com ou sem razão. Vivos erram e sentem muito. Mortos não erram, e não sentem. Vivos são, de verdade. Mortos, não mentem.

24.4.08

o destino me acomete


o rio que passa aqui embaixo
sempre correu para o mesmo lado;
e eu posso ir e posso voltar.

é o rio tão livre quanto eu,
ou serei eu preso no fluxo contínuo
como é o rio? *

ontem a terra tremeu e eu, embaixo dela, não senti nada. só tive uma vontade-ziiiiiinha de chorar duas vezes no final de um livro, quando sombra do menino envolve a dor que levaria para sempre. muitas vezes penso: o que foi que eu disse de errado? qual mancha eu deixei agora? então tento pensar nas coisas como se já fossem memórias, como um presente imperfeito, um futuro do pretérito.

mas puxa, todos tão bonitos e eu com esse medo. do futuro, do passado.

o que será que eu estava fazendo quando a terra tremeu? só soube mais tarde, como de costume: nunca estou presente nos grandes momentos da história. sempre distraída com algo, como naquela manhã sonolenta da queda das torres; como naqueles dias ótimos e hedonistas no reveillon do tsunami; e quando tudo foi embora naquele ano das águas que culminou com o rio mississipi levando em seu fluxo caixões, casas, entes queridos, anjos.

as coisas me chegam depois, já como histórias, «a menina morta», «o padre que se perdeu no mar numa noite de lua cheia preso a mil balões coloridos», «os ossos do polvo e o rei-peixe» e «como foi que eu cheguei aqui».

ou então chegam antes, como previsões, presságios, estúpidos prenúncios de apocalipse.

pois bem. entrando no inferno astral, este ano decidi jogar fora de vez qualquer bússola. afinal, não estarei, indo contra as previsões, apenas favorecendo as circunstâncias, como na lenda sufi? não saberei; nem dos perigos dos rios, nem dos fluxos, nem da segurança das pontes. pois, se for rio eu - peixe - nado, se for céu azul above us, te vejo, e se a terra tremer, eu danço.

* * *

("Obstinação em suas veias", Só o Abimonismo Salva, Abimonistas)

15.4.08

4:20 e uma pitada de civilização


«Ao terminar uma refeição, a pessoa deixa o garfo e a faca unidos em paralelo, dentro do prato, com os cabos apoiados na borda do lado direito, aproximadamente na direção 4:20 horas. A etiqueta recomenda que o lado cortante da faca esteja voltado para o interior do prato e o garfo, ao modo inglês, com os dentes para cima (Fig. 4), e ao modo francês, para baixo.

É considerado reprovável deixar os talheres inclinados, com as pontas apoiadas nas bordas, do lado de fora e de cada lado do prato, como as asas abertas de uma ave.»

«nesse site vc tbm encontra:
Filosofia Moderna, Filosofia Contemporânea, Temas de Filosofia,
Psicologia e Educação,
Boas Maneiras e Etiqueta, Contos,
Restauro, Genealogia, Geologia, Livros»


o mundo ficou mais fácil?
(não responda nos comments inexistentes, esta - e todas as outras - são perguntas retóricas)

31.3.08

Hippies, punks, rajneeshs

Dió en la TV Azteca, y es verdad pero parece ficción, por isso la notícia vai em portuñol: uno bando de PUNKS se reuniram en Ciudad de México para atacar a los saco-de-pancadas EMOS, "por copiaren nuestros estilos", como justificou um manifestante. Los emos se defendieran com garrafas y cintos. Estes jovens insurgentes aprontaram as maiores confusões durante cinco horas hasta llegar las fuerzas policiales: 150 policías para separar punks, darks y emos. Pero parece que a briga acabou mesmo com la llegada... de um grupo de hare krishnas. No puede ser! Vean con sus ojos:

28.3.08

Febre da Névoa Literária



Da literatura médica: "Há certos tipos de ares, carregados de emoção, nostalgia e sonho, que em si mesmo trazem e até por si mesmo assim, que ao formarem névoas, cinemas, pares, causam. literaturismo, poesilergia, psicoficção" - Dr. Aires

como as gripes, é só esperar que passa. até lá, recomenda-se um lenço.

27.3.08

negóss de família



- ah, aquela mulher, o pessoal foi na casa dela, vixe, muito estranha.
- é? estranha tipo como?
- ah... não tinha filho. disse que nem queria ter, que não gostava.
- nossa, hein.
- pois é. eu, se tiver dinheiro vou querer ter uns quatro, cinco.
- vige, hahaha, vai estragar a tua Alinezinha.
- haha, estraga nada méu. minha vô teve sabe quantos? DOZE.
- doze, vixe.
- falou que foi indo, foi indo, daí foi isso.
- nossa, é muita gente, não?
- e uma mulher lá da cidade da minha mãe que teve VINTE E DOIS, acredita?
- nossa, foi o quê, um por ano?
- pois é. e alimentar tudo isso?
- ôxe. haja farinha!

#diálogosnobusão

26.3.08

de família e outros negócios

- mãe...
- oi.
- eu queria, ter um irmão da minha idade.
- ah é?
- é, e a aninha também acharia bom ter outro irmão, da minha idade, assim eu não enchia tanto o saco dela.
- puxa, imagina dois de você, ia dar mais trabalho, ué.
- é, ia. a gente ia adotar um ornitorrinco.
- um ornitorrinco?
- é, mas tinha que ser um ornitorrinco espião.
- hmm.

4.3.08

triste e bonito, como sempre é

People tell me it's a sin
To know and feel too much within
I still believe she was my twin
But I lost the ring
She was born in spring
But I was born too late
Blame it on a simple twist of fate.

Blood on the tracks, 1975

27.2.08

sem destino, sem dogma e sem fé

"O mundo não é um sistema ordenado, não é um cosmos, é um aspecto passageiro de um processo mutável e múltiplo cujos cambiantes não se conseguem prever, cujo objetivo nos é incompreensível. As leis que Zeus introduz não são eternas e insondáveis leis da natureza, mas o resultado de um equilíbrio entre tendências em contraste; a todo momento o caos pode irromper sobre nós. Com isto, o racionalismo científico não é excluído uma vez por todas da nossa consideração. É uma das fábulas que contamos para suportar temporariamente o absurdo que nos rodeia."

"O nonsense e a fé, por muito estranha que possa parecer a ligação, são duas supremas afirmações desta verdade: não é possível arrancar a alma das coisas com um silogismo; aquele que estudando apenas o aspecto lógico das coisas, chegou a conclusão de que 'a fé é nonsense' não sabe como são verdadeiras suas palavras; poderá replicar-se que 'o nonsense é fé'."

-- Gillo Dorfles, em Elogio da desarmonia

ouve aí: http://evauviedo.tumblr.com/post/27449969

2.1.08

2008



seja bem-vindo, estamos ae.

23.12.07

taxi stories I

era noite de halloween, por isso o motorista perguntou se eu acreditava em bruxas, bruxaria, magia 'essas coisas';
falei que acreditava ué,
mas que não fazia a menor diferença
'assim como acredito em bússolas
mas não uso pra andar por são paulo,
prefiro chamar um táxi, hahahaha'
ele disse 'é, mas todo mundo tem que acreditar em algo'
ele tem toda a razão, veja
eu, por exemplo acredito em taxistas.

28.11.07

Sabe aqueles dias em que horas dizem nada? Você trabalhou, caiu na balada, bebeu, comeu sorvete, viu seu seriado favorito, mas ainda está com aquela sensação de que falta alguma coisa... Sabe o que está faltando na sua vida? NaDa™.

NaDa™ vai fazer você se sentir melhor. NaDa™ pode ser usado por todos, e é grátis. Não é incompatível com nenhum sistema operacional, tem apenas 1 byte, e é facílimo de instalar. Você faz o download, salva em qualquer lugar do seu HD, e esquece: NaDa™ pode tornar sua vida melhor.

12.10.07

How to kill your first love


de susto, de bala ou vício.

(entre saudades, soluços)

29.9.07

AS FLORES DO MAL


Romero Britto não vê sentido em expor seus pesadelos. Seus temas favoritos são gatinhos, peixes voadores pulando, flores desabrochando, casais dançando. A declaração de intenções está estampada na parede da Galeria Romero Britto, situada na mais grã-fina das ruas paulistanas, a Oscar Freire, nos Jardins. O lugar é colorido por natureza, desde o quadrinho que diferencia o banheiro feminino do masculino até a mesinha em forma de flor onde apoio meu prosseco - e que custa a bagatela de onze mil e quinhentos reais. Estranhamente (ou não), situa-se nesse cenário a exposição "As flores do Mal", do rock-star e às vezes artista plástico Marilyn Manson.

A vernissage, aberta pra imprensa e (poucos) convidados e regada a uísque do bom mais a velha e boa tríade esfiha-quibe-risólis, foi tumultuada pela presença maquiada do astro, acompanhado de sua namorada, a atriz teen Rachel Evan Wood, e a previsível bateção de cabeça entre veículos altamente qualificados e tradicionais do circuito das artes, a saber: Amaury Jr e TV Fama, todos atrás da tão sonhada exclusividade. Mas pra quê? "Ai, vamos perguntar se ele arrancou a costela pra chupar o próprio p**?" planeja a irônica e animadíssima apresentadora minimamente trajada de estampa de onça enquanto ensaia caras e bocas pra sua atuação. Ah, por Deus. Atrás de um quilo de pó compacto também tem um cérebro, Mrs. oncinha. Mr. Manson é menos simpático do que deveria, mas mais do que deveríamos esperar. Assim como a carreira de artista plástico é alavancada pela de artista pop, também é soterrada por ela. Poucas perguntas sobre arte, muito preconceito e pagação.


O artista Brian Hugh Warner, a.k.a. Marilyn Manson, faz questão de expor seus pesadelos, em forma de auto retratos, projeções de sua prória velhice, morte, doença e vício. E exibe seu lado mais sombrio, além da música, em tintas leves mas de tons fortes, e figuras às vezes mórbidas, mas sempre de olhar penetrante, perturbador. Ao contrário de Britto, as cores de Manson transmitem toda sua inquietação interior. Pra quem quiser conhecer esse outro lado do artista, as telas da exposição “Fleurs Du Mal” ficarão à mostra até dia 19 de outubro. Já homem, o mito, esse segue seu rumo noturno. Sem caipirinha, brasileiros; sem samba, sem praia, sem sol; sem ao mesmo borrar o batom. Gente fina, entende?

Veja mais: http://www.marilynmanson.com/art/

3.9.07

assim o amor

Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

3.5.07

Dance me to the end of love


sim, podemos concordar em deixar pra lá a noite escura - até porque, é lua cheia e desmedida, sabe lá. chega de 'houve um tempo' e rabos de lagartixa. afinal, é preciso blá blá blá, todos sabemos e a ninguém é dado alegar: sem eclipses, sem elipses, sem prego ou ponto final. mesmo os velhos parênteses foram quase abandonados, vazios de sentido e sussurros sem vazão. me dedica alguma coisa? vivia a suspirar. um pesto, um post it, um estacionamento, uma canção, um couvert. sabe o quanto, não-me-importo? não sabe não. é mentira. vamos combinar assim então: chamarei outono de setembro, junho de céu, outubro de chão. e vou dizer os teus nomes: coisas, vertigem, vitrola, cumes, ventos, vales, cais. nem sim nem não, nem se ou quando. ontem. sempre. hoje. amanhã.

30.4.07

E POR FALAR EM COISA ALGUMA

fotosroubadas.com.ar
digamos que não tem nada sólido aqui (só a vontade de contar da luz nas cortinas beges de renda e da menina com caxumba no fim da rua, nada mais). também você deve pensar, de vez em quando 'mas afinal' - muito intrigado - 'onde foram parar esses sapatos?' ou como eu, consolar-se 'vai ver que, nem eram meus'. esse é um ponto. outro é dizer que pontos e vírgulas nunca bastam; e embora pontos-e-vírgula me agradem, algumas metáforas me escapam. ou, se ainda, alguém tivesse acreditado, em uma dessas tardes estrangeiras de um desbotado mas ainda azul, seria então já, uma outra história? e se sim, qual seria a minha? se tivesse melhor inventado rua deleitada, asfalto nu, debruçar de janelas, mesas ou cadeiras, coisas de passar e ficar. não sei. das coisas o riso aberto, falta de jeito mesmo, nunca aprendi. tenho inveja: de bons dentes e varandas; de sentimentos rasos e pensamentos profundos. tenho amor: por martelo e chave de fenda, porque são ativos; e de pregos e parafusos, seus complementos tímidos e permanentes: coisas que se fixam nas paredes, não por serem tanto em si, mas por suportarem toda a beleza do mundo.

29.4.07

Eu era feliz e ninguém estava morto


todo dia alguma coisa já faz anos; a não ser as que nasceram outro dia - muitas delas, nem bem natas, ficaram afogadas naquele pântano de preguiça e desilusão. vamos deixar tudo assim, como a areia da gata e o vaso do manjericão morto. vamos plantar outra coisa nesse espaço.

todo dia aquele dia faz seu próprio aniversário. e todo dia se comemora um nome santo - mas nunca o meu, que é pagão. todo maldito santo dia, dias vãos se repetindo; dias se auto-entrelaçando, em infinitas relações que se roçam ano a ano.

também hoje minha tristeza faz mais um aniversário.

3.4.07

Así pues, éste es mi ego: indica.



"Plan de mi ninguna cosa, ahora. Estoy aquí. no somos, no somos nosotros aquí?"

2.4.07

DUAS OU TRÊS COISAS QUE ME CONTOU BERNARDO


 
definido como qualquer coisa entre os cavalos imóveis e o foco da não-atenção joaquim lia e relia pessoa em péssima tradução. bem, o português de antanho não lhe negava café no entanto, e eu dizia: 'meu primeiro e grande amor!', oh, u la la, isso muda tudo, não é? pra mim sim, todo dia, e o dia todo também. pessoalmente não me oponho à grafia xadreza nem ao funk junto ao jazz. mas à luz acesa lá fora e aos ecumenismos vistos de baixo como uma velha de saia, sim, sim. 'também não adianta ter asas presas às costas por único fino fio', pensou (ora pois!) velho joaquim; alma, cebolas e brasas: posso dizer que chega, escadas curvas e silêncio, perdeu-se em caminho subtil. mas não quero ser perfil num livro, albertío - numa revista talvez. quero das coisas-já o sumo, e a mancha futura da xícara naquele azul do papel. saber que o mundo esta torto, clarita, e quem está certa sou eu.

14.3.07

if you're travelin' in the north country fair



okToGo = true;
} function changeContent(){

12.3.07

E TUDO COMEÇA E TERMINA, ASSIM


 
então eu diria, muito séria: "...cara, eu te amava TANTO". e lembrava uma música triste, em mim. daí !BAH, ririamos muito, muito, mas MUITO, até doer a barriga, até sairem lágrimas; e quando conseguisse falar de novo, com os pés pra dentro e uma voz fina diria "(...) quá quá quá quá quá, mas que grande !COISA!, que bela !MERDA!, quem tu pensa que é com essa bobagem de AMOR, vais me dizer 'ah, é, e eu tenho uma lata de coca-cola guardada, desde oitentaeseis, lembra, que o brasil ganhou a copa?'" e tu "ah vá, NUNCA me disseram que as fotos ficavam roxas, SEMPRE pensei que as coisas só AMARELASSEM". e eu "ah que MENTIRA A TUA, ¿vai dizer que você não sabe que no fim tudo fica preto & branco, como um contrato, ou retrato, trapo, prato, sapato e metáfora TERMINAL?" ah é, e como um gato! aparece, desaparece. on focus. normal. normal. normal. normal. um e zero e zero e um e zero e zero e um e um. é tão simples e bonito. tão único e tão comum. tão TÃO, contudo tão QUASE, tão que FOSSE, porra, então.

8.3.07

THIS IS NOT A LOVE SONG


I'm going over to the other side

28.2.07

O PATÉTICO HUMANO

e suas manifestações visíveis

fig. 1 - lou & moby