19.8.09

e os dentes da paisagem


Diário de Bernfried Järvi, 10 de Junho de 1978
Há vários dias que as nuvens insistem em mostrar os dentes e morder tudo à sua passagem. Assim, de dois guarda-chuvas que comprei recentemente na Baixa, restam os ossos.

(rui manoel amaral)

2.8.09

falta eu acordar

Alto Paraíso de Goiás - GO

faltava abandonar a velha escola
tomar o mundo feito Coca-Cola,

3.7.09

LOUVADO SEJE

Richard Dawkins é o messias dos ateus.

2.7.09

Vagalumes ensandecidos dizem here's johnny

[assistindo Animal Planet]

- Ian, sabe o q é ‘bioluminescência’?
- Não.
- Pensa na palavra: bio…
- Vida…
- Isso. Luminescência...
- … iluminado?
- Isso, então ‘bio-luminescência’ são...
- ... larvas com um machado?


Vagalumes ensandecidos

- Ian, sabe o q é bioluminescência?
- não.
- pensa na palavra: bio..
- vida.
- luminiscência...
- iluminado?
- isso, bio-luminiscência...
- uma larva com um machado?

25.6.09

Primeira aula de levitação:

use o elevador.


Antes que a minha vida se torne a tua
A força que me comanda em tuas mãos
Um pacto de catecismos e cataclismos
Deve ser firmado na areia e então apagado
Pelo mar que nos rodeia e nos persiste
Para que a gente esqueça de uma vez o que era o mundo
Antes que tudo comece ou termine
Em fulgurações ou ossos a pino
Constelações perdidas
Olhos flutuantes
Dentes e flores

[Texto: Ronaldo Bressane
Ilustração: Eva Uviedo
Localização: Elevador H do Sesc Pinheiros (à esquerda de quem entra)
rua Paes Leme, 195 / telefone 11 3095-9400]

24.6.09

O relógio, o coração, o tempo



"Os relógios-cuco são um dos objetos mais procurados: é que são precisamente, porque captam o tempo sem surpresa na intimidade de um móvel, o que pode haver de mais tranqüilizador no mundo? A cronometria é angustiante quando nos determina tarefas sociais; mas é tranqüilizadora quando substantifica o tempo e o destaca como objeto consumível. Todos já experimentaram como o tique-taque de um relógio consagra a intimidade de um lugar: é que ele o torna análogo ao interior de nosso próprio corpo. O relógio é um coração mecânico que nos tranqüiliza a respeito de nosso próprio coração"

- Jean Baudrillard, em O Sistema dos Objetos

Das coisas que gosto de escutar

Aninha, 13: 'Não sei por quê, mas na festa Junina dessa escola o pessoal do G2 [colegial] é o q mais se diverte. '
Ian, 10: 'Deve ser porque eles já podem tomar caipirinha.'

* * *
Ian: 'Sabe por que não ligo pra futebol? Porque por exemplo: se o Santos ganhar do São Paulo, não quer dizer que Santos vai INVADIR São Paulo. Daí não acho importante. '

* * *
Eu: 'Hmmm, então você já tem namorada?'
Ian: 'Sim.'
Eu: 'E como ela é?'
Ian: 'Ah. Loirinha...'
Aninha: 'Ian. Ela é ALBINA. Não 'loirinha'. ALBINA.'

* * *
Ian: 'Sabe qual ia ser a primeira coisa que eu ia fazer se eu fosse pra um lugar onde NEVA?'
Aninha: 'O quê.'
Ian: 'Passar a LÍNGUA NO GELO'
Aninha: [abraçando o irmão] 'É POR ISSO que eu TE AMO'

21.6.09

Vai otimizando o otimismo ae

"Se você consegue criar uma enciclopédia com um milhão de pessoas que nunca se conheceram mas com a qualidade de uma Enciclopédia Britânica, o que mais você pode criar?" - trecho do documentário Us Now sobre redes sociais online

Oi, te dou um palpite? Vamos lá: Gênesis 11:1-9

O SENHOR desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o SENHOR disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»

TIPOS, VALEO MESMO HEIN. Depois reclamam que tem guerra, que o ser humano blá blá blá... Bem; essa passagem comprova a tese de que se algum homem nessa terra foi feito à imagem e semelhança do supra-citado, não restam DÚVIDAS que é este aqui:


Ráaaaaaa

Então já sabe: podem ir preparando as bagage e dando um talento no Babelfish.com, que deve vir chumbo grosso por aí.

a humanidade não decepciona

Praça do Pôr do Sol, 17:45

- mãe, só vamos embora depois que o sol for né
- só vou embora depois que baterem palmas

[palmas]

- mãe! (espantada) como você sabia?
- ora (ar de superioridade). sabemos de tu-do.

[mais fácil que tirar doce da mão de criança, convenhamos]

19.6.09

You're a Little Airplane, I'm a Little dinosaur

hoje queria falar pra vocês
sobre o instinto de autopreservação do continuum espaço-tempo.

(...)

pronto, falei.

tem um que tudo sabe e tudo vê

'ah, mas pode dar uma IMERSÃO TÉCNICA isso aí."

- taxista, querendo dizer 'choque térmico'

30.5.09

A prática da paciência


“Um fiel foi ao templo e, ao final de suas preces, pediu a seu Mestre que lhe desse mais paciência. E saiu, confiante de que seu pedido seria acatado. Mas eis que, sem entender por que, sua vida se tornou um loucura; era uma provação atrás da outra. Depois de alguns dias, cansado, retornou ao templo e, aos pés do Guru, desabafou:

– Afinal de contas, eu vim aqui para pedir paciência, e foi só sair do templo que minha vida se tornou um inferno.
Ao que seu Mestre lhe respondeu:
– Mas como você deseja obter paciência sem ter como praticar?”.

[Coluna Caminhos da Prática, por Isabela Fortes - Prana Yoga Journal #26]

19.5.09

above us


[aconchego]

only sky


[liberdade]

10.5.09

WHERE WERE YOU WHILE WE WERE GETTING HIGH?

@liamgallagher: 'SP, wasn't feeling too good last night, got a bit of the flu, you lot were beautiful as always, take care, see you soon'

Apesar da gripe de Liam Gallagher, do mau tempo e do preço dos ingressos, o evento superou expectativas. Das filas e tumulto que marcaram o festival Just a Fest, que trouxe o Radiohead em março, não se viu nem sinal. Entrada e saída da Arena Anhembi fluíram bem e a forte chuva, que castigou a platéia durante a apresentação do Cachorro Grande, parou minutos antes do das 22h, horário em que a banda Oasis - com pontualidade britânica - subiu ao palco.

Empolgação não é exatamente uma qualidade que deve ser esperada de uma banda inglesa, e o Oasis não poderia ser diferente: Liam mal tirou a mão do bolso, quando muito para segurar a meia-lua - e pouco tocar; e Noel Gallagher não é mesmo de muitos sorrisos. Ainda assim, falaram bastante com o público, Liam posou para fotos, em um misto de convencimento e simpatia, jogou o instrumento pra platéia, fez coraçãozinho com as mãos (!) e Noel chegou a mandar beijinhos para a platéia (!).

Apenas uma ocorrência ameaçou estragar o humor dos músicos, quando arremessaram pequenos objetos em direção ao palco: "Se vocês continuarem a atirar coisas no palco, nós vamos sair. É sério."

Sem grandes surpresas em relação às apresentações anteriores da turnê, o setlist equilibrou canções do mais recente álbum, Dig out your soul, com antigos sucessos como "Don’t look back in anger" e "The masterplan", em um show de rock direto e sem firulas visuais. No meio da platéia, um apelo: "Please, don't play 'Live forever'"; provocação, pedido sincero ou tentativa de conseguir o contrário? Liam limitou-se a apontar para a faixa e fazer um sinal de negativo com a mão. E não tocaram.

Assim como todos nós, Noel se perguntava: "O que há com o Oasis e com São Paulo? Sempre que tocamos aqui chove". Mas, ao contrário da chuva torrencial do começo ao fim do show em 2006, o tempo ficou estável, as nuvens se dispersaram e a lua cheia apareceu logo nos primeiros acordes de "Wonderwall". Momento mágico - digno da banda que encerrou com "I am the Walrus", cover dos Beatles (em apropriação tão justificada que poderia dizer-se que a música é deles), da trilha de Magical Mystery Tour.

Desta vez, o tempo abriu.

22.4.09

já pintei no parachoque um coração

Vocês conseguem ver todas as relações que há entre esses dois vídeos? Além do óbvio fato do John Hartford, personagem do vídeo de baixo, ser autor da canção original do clipe de cima, claro.



I pretend I hold you to my breast and find
That you're waving from the backroads
By the rivers of my mem'ry
Ever smilin' ever gentle on my mind.

7.4.09

A cara da páscoa

Quando eu era criança e minha família, católica, a Páscoa era uma espécie de anti-Natal: lembrávamos da morte de Jesus e seu martírio e nos abstínhamos de carne pois estávamos praticamente de luto; no sábado os rapazes participavam da malhação do Judas, lembrando como devia ser o fim de traidores profanos; e finalmente, no domingo de manhã, data do renascimento de Cristo (ufa!), como recompensa por tanta culpa, luto e pesar, ganhávamos pequenos ovos de chocolate, pintados um a um pelas mãos trêmulas de uma avó italiana.

Mas tudo isso foi no século passado, né? Por essas voltas que o mundo dá, sempre na direção do mais fofo, consumível e comercialmente viável, a Páscoa hoje está mais ligada ao que parecia um símbolo periférico e pouco claro, o Coelho da Páscoa; assim como o Natal cada vez menos tem a ver com Jesus e mais com o Papai Noel.

Sendo assim, em vez de ficar lamentando a morte da bezerra, Jesus, ou de quem quer que seja, podemos mandar aproveitar a data para enviar simpáticas lembranças personalizadas para amigos e parentes - os que tiverem e-mail, claro.

Faça a sua em http://www.faceinhole.com/


What the hell am I doing here?

6.4.09

num dia branco


segura a borda da mesa com
o cabelo vermelho vamos
para a polônia
ver a neve
andava tão dispersa assim
ele nunca conheceu a família com ganas
de frio. sempre aquele
movimento
preciso ler outras
coisas a frase cortada
no mesmo ponto fresta de luz
onde fala uma gargalhada
assomada à janela quando o vê
do outro lado da rua procurando o
castelo.
cabelo curto, segura a ponta
da mesa e mastiga as sílabas
em sua língua.

+ + +

[Marília Garcia, 20 Poemas Para O Seu Walkman (Cosac Naify/7 Letras) - Ilustração para a revista Vida Simples]

4.4.09

Isso explica muita coisa



- mãe, sabia que nós somos espermatozóides vitoriosos?
- hm, é, tem razão.
- preciso confessar algo...
- quê.
- eu trapaceei.

#Ianfacts

21.3.09

Everything In Its Right Place

Dez anos atrás ganhei, de um até então desconhecido, dois presentes que viriam a se tornar parte importante da minha vida: uma indicação para substituí-lo no cargo de zelador do site da Trip, e uma fita VHS com sete clipes de uma banda que eu 'precisava conhecer'.

Quase não acreditei quando recebi uma ligação de alguém que eu só conhecia de fóruns de webdesign, o hoje fotógrafo Luish Coelho. 'Oi, você quer trabalhar no site da Trip?' Ora, claro que sim, quem recusaria uma oferta dessas? O projeto gráfico vigente, do David Carson, era o sonho de consumo de nove entre dez designers naquela época, se é que ainda não é. Trip era a revista que eu lia, e o site já era um dos meus favoritos desde a primeira vez que acessei a home do UOL, naquele momento mágico ao som da conexão da linha discada. O ano era 1999, a internet, a lenha, só tinha um computador conectado para toda a redação e eu volta-e-meia era confundida com técnica em informática. Mas o desafio de lá pra cá ainda é o mesmo: levar o universo Trip ao maior número de pessoas possível; e complementar as matérias da revista com conteúdos em áudio, vídeo e interatividade - o possível na época. E a minha vontade pessoal, fazer um site à altura da revista que tanto admirava.

A fitinha com os videoclipes veio logo depois, como presente de aniversário: 7 Television Commercials, doRadiohead, foi amor à primeira vista. Tanto pela música e letra, quanto pelo apuro gráfico da capa e dos vídeos e - por que não dizer - pelo vocalista da banda. De lá pra cá foram seis CDs comprados (o In Rainbows não rolou), camisetas, duas fitas K7 gravadas pra ouvir no walkman, e depois a discografia completa em mp3 pra encher o iPod, incluíndo bootlegs, versões e outras raridades. A única coisa que faltava na lista de fã número um era, obviamente, ir a um show; falha esta que será sanada amanhã.

Coincidentemente, na mesma semana, entrou no ar uma versão dos sites da Trip e Tpm que considero a melhor, mais inteligente e completa em seus conceitos, intenções e conteúdo desde que entrei aqui. Digo isso sem medo de ser cabotina, porque de lá pra cá as coisas mudaram muito e claro que hoje não cuido deste site sozinha como dez anos atrás. Desde a concepção até o resultado que está no ar, incluindo as novidades que ainda estão por vir, foi pensado e elaborado pela sempre engajada equipe de mídias eletrônicas em conjunto com as redações da Trip e da Tpm, contando com as consultorias pertinentes da Try e da Direct Performance que souberam compreender bem o espírito do projeto, e pelo trabalho cuidadoso e paciente da Activeduck na parte da programação, transformando em realidade a estrutura complexa que rabiscamos.

Quer dizer, na minha cabeça que adora ver relação em tudo, a versão 2009 deste site está para aquela em que comecei a trabalhar em 1999 assim como o show do Radiohead na Chácara do Jóquei para 30 mil pessoas está para aquela velha fita VHS - que guardo com o mesmo carinho que o ingresso de amanhã.

Let's enjoy,
é tudo nosso!

- Eva Uviedo, in a right place since '99

13.3.09

Si tu dois partir



Mais si tu dois partir, va t'en
Mais si tu dois partir, va t'en
Si non, tu dois rester la nuit.

9.3.09

Eu acredito no semáforo



-Se puede aprender de cualquier cosa- dijo una vez el rabí de Sadagora a sus jasidim-. Cada cosa puede enseñarnos algo, y no sólo lo que ha creado Dios. Lo que hizo el hombre también puede enseñarnos.
-¿Qué podemos aprender de un tren?- preguntó dubitativamente un jasid.
-Que a causa de un segundo podemos perderlo todo.
-¿Y del telégrafo?
-Que cada palabra se cuenta y se cobra.
-¿Y del teléfono?
-Que lo que decimos aquí se oye allá.

[Martin Buber, Cuentos jasídicos: los maestros continuadores]
do sempre ótimo Dias Felizes

14.2.09

It's all right ma'


tenho começado toda conversa / preenchido qualquer lacuna, com / tenho trabalhado demais // paulistano tem um fetiche com isso? / nos encontramos pra tomar cerveja e competimos pra ver quem trabalhou mais / quem trabalhou no domingo / quem vai ficar de plantão no carnaval /@vitorfasano, olhai por nós // e tenho visto comédias romanticas demais / identifiquei um padrão de tramas e personagens e me sinto capaz de escrever uma / se quisesse, se precisasse / teria o john cusack e a drew barrymore / trilha sonora do elliott smith / e um labrador // voltei a pregar quadros na parede, sem me preocupar com o eminente fim do contrato da casa // tenho ouvido dezenas de vezes o disco Odetta sings Dylan //e estou apaixonada por um novo tom de vermelho / 'mais aberto' disse a manicure / combina com o colar novo, a blusa de lã // tenho comprado vestidos e sandálias como se não houvesse outra estação que não o verão // descobri que gosto de mais músicas do elton john do que considero aceitável / tenho me achado piegas demais, mas / I look inside myself and see my heart is black. / vi uma arraia de verdade e entendi porque elas são parentes do tubarão / quem a vê flanando leve pelo aquário pensa que é mansa / vai nessa. // as metáforas me abandonaram / mas considero um bom sinal / foram pra sempre ou migraram, como patos para o sul? tanto faz; vim do sul, vou pro norte, from the west unto the east,

8.2.09

Memories are made of this

diários de viagem
"There is no more spring in my heart. It is summer. The greeting of strange places sounds different to me. Its echo is quieter in my breast. I don’t throw my hat into the air. I don’t sing. But I smile, and not only with my mouth. I smile with my soul, with my eyes, with my whole skin, and I offer these countrysides, whose fragrances drift up to me, different senses than those I had before, more delicate, more silent, more finely honed, better practiced, and more grateful.
Everything belongs to me more than ever before, it speaks to me more richly and with hundreds of nuances. My yearning no longer paints dreamy colors across the veiled distances, my eyes are satisfied with what exists, because they have learned to see. The world has become lovelier than before. The world has become lovelier. I am alone, and I don’t suffer from my loneliness. I don’t want life to be anything other than what it is. I am ready to let myself be baked in the sun till I am done. I am eager to ripen. I am ready to die, ready to be born again.
The world has become lovelier."

["Mountain Pass" by Hermann Hesse: "Wandering" // ilustração para a revista Personnalité #6 (Itaú)]

2.2.09

You know you’re a cute little heartbreaker


após semanas de debates, argumentações racionais e algumas escolhas afetivas, finalmente chegamos à um consenso: a melhor música de todos os tempos é Foxy Lady; tks Wayne's World.

1.2.09

é sua? então pegue



Teu sorriso
olhinhos como margaridas negras
meu amor navegando na tarde
batidas de pêssego refletindo em seus olhinhos de
fuligem
cabelos ouriçados como um pequeno deus de salão
rococó
força de um corpo frágil como âncoras
gostei de você
eu também
amanhã então às 7
amanhã às 7
tudo começa agora num ritual lento & cercados de
gardênias de pano
Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde
de São Paulo como um desejo espetacular tão
dopado de coragem
marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti
assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem

Roberto Piva, Abra os olhos e diga ah! (1976)

30.1.09

Fábula da ostra & do Arenque

a ostra & o arenque

Vivia a ostra bela e ajuizadamente numa rocha. Não sonhava com o amor, mas quando fazia bom tempo ficava boquiaberta, na maior beatitude possível. Encontrou-a porém o arenque, e foi uma paixão à primeira vista. Ficou perdidamente enamorado sem se atrever a confessar-lho. Ora num dia de Verão a ostra bocejava feliz e queda. Encolhido atrás de um rochedo o arenque contemplava-a mas, de súbito, beijar a bem amada foi um desejo tão forte que nem pôde refreá-lo. Meteu-se então entre as placas abertas da ostra e esta, surpreendida, fechou-as decapitando o miserável que flutuou à deriva e sem cabeça, pelo oceano.

- Guillaume Apolinaire, "O Poeta Assassinado", 
tradução de Aníbal Fernandes, Estampa, colecção LIVRO B, Lisboa 1983
encontrado em Dias felizes.

28.1.09

We Have A Map Of The Piano

1. Cartografia (do grego chartis = mapa e graphein = escrita) é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas; hoje temos o Google Maps, com imagens via satélite, mas antes tínhamos verdadeiros artistas, como...
... João Teixeira Albernaz, também referido como João Teixeira Albernaz I ou João Teixeira Albernaz, o velho (Lisboa, último quartel do século XVI — c. 1662), cartógrafo português, pertencente a uma família de cartógrafos cuja atividade se estende desde os meados do século XVI até ao fim do século XVIII. Sua obra é de grande interesse, tanto pela sua amplitude e variedade, como pelo registo do progresso dos descobrimentos e explorações portugueses, marítimas e terrestres, particularmente no Brasil. A sua produção é de mais de dezanove atlas, um grupo de quatro cartas e duas cartas soltas, para além de outra, incluída num atlas de origem diversa. Existem mais oito cópias de dois dos dezanove atlas, num total de duzentas e quinze cartas, mais duas gravadas, algumas delas na...

...vasta, organizada e disponível online coleção de mapas de David Rumsey. Tem muitos, muitos mapas relacionados com o Brasil, da época em que os portugueses chegaram aqui. Mais ou menos na mesma época, naus lusitanas aportavam do outro lado do mundo...
... isto é, as notícias acerca do Japão, antes da chegada dos Portugueses, eram escassas. A primeira notícia da existência do Japão provém de Marco Polo (1254-1324) e a sua obra foi a base dos nossos conhecimentos sobre grande parte da Ásia até meados do século XVIII.  O país chegou a ser representado, no século XV, como sendo uma grande ilha rectangular no Insularium Ilustratum do alemão Henricus Martellus, de cerca de 1490. A primeira representação efetiva do Japão data de 1550, em um mapa anônimo português; neste mapa também aparece, pela primeira vez, o nome da ilha. E foi assim que os portugueses desenharam o japão.

diários de viagem 
Graças a essas histórias - e claro, em grande parte ao meu honesto e lucrativo trabalho de desenhar mapas para nobres publicações editoriais - tenho me aproximado do interessante mundo dos cartógrafos, esses personagens tão importantes para a história das navegações, da cultura e não exagero em dizer, da civilização.

E é assim também que cada vez mais me distancio dos astros e finco meu pé de búfalo no chão: mapa, pra mim, já não é o astral. 

E se tenho mapas, co-piloto e direção, agora é tempo de viajar.

12.1.09

Bota na banguela, tira o pé do freio,

Maja Einstein is the younger sister of great scientist Albert Einstein. Maja was the only friend of Albert during his childhood. When little Albert saw his sister for the first time he thought she was a kind of toy and asked: “Yes, but where does it have its small wheels?”

-- da wikidumper, os rejects da wikipedia

8.1.09

sim, mas não no sul



são paulo, viajo porque preciso, volto porque te amo / ou viajo porque amo, volto porque preciso / em casa tive uma crise de pra que isso tudo, só preciso de um par de chinelos, mas já passou / na estrada, li "descompensados anônimos" onde estava escrito "compensados anatômicos"; talvez fosse o caso de ficar por lá? // things are getting better / all the time.

caro deus ou whatever, valeu por 2008, foi jóia,
capricha ai em 2009, é nois.

21.12.08

é ritmooooooo


é ritmo de férias

pois, me vou. rumo ao intrigante condomínio krakatoa, em um distante balneário ensolarado, com o carro cheio de livros, discos, queridos e claro, vários trapinhos elegantes e um raibanzão jackie o, que é pra esse mundo ver melhor.

se cuidem, não façam nada que vocês não fariam, nos vemos em 2009.

16.12.08

only stupid words


stupid memory
must you bring up these things?
stupid memory
can i forget all of that?
all of that crap


ok. sinto dizer que de 30 Gb de mp3 perdidos - da letra A até a M - o easy recover conseguiu recuperar apenas UM: 'O Gosto Novo da Vida' [1981], do Lula Côrtes. Seria alguma mensagem? Ou sinal?

* * *

esqueça os mortos que eles não levantam mais.

Fuck Yeah Sharks!


Topics: sharks, are, awesome. Meu blog favorito, pra sempre.

8.12.08

en la absurdidad de una fraccion



"Radiohead é muito líquido. O som é muita água e o texto é muito obscuro, muito 'não quero que você me entenda'. Mas é um grupo refinado e caprichado. Lindo de se ouvir. Acho que não vou ao show da Madonna, mas ao do Radiohead eu quero ir."

[Caetano Veloso, em seu blog]

É tudo muito caprichadinho mesmo, Caetano; então nós vamos, né? Legal.

* * *
Aliás, pra quem ainda não ouviu esta linda versão de 'High and Dry' com os cubanos El Lele de Los Van Van, posso dizer: parem tudo e ouvão já. TÔBCECADA.

A faixa foi pescada do CD Rhythms Del Mundo, lançado pelo grupo Buena Vista Social Club em 2006. Estrelas da música cubana como Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo encontram Coldplay, Sting, Jack Johnson, Maroon 5 , Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, entre outros. Bizarro. Não ouvi o resto, mas esta faixa é pra grudar. Não estranhem se me encontrarem na chácara do jóquei, em março, ainda cantando 'yo bibiréeeeeee / en la soledaaaaaaaaád'

5.12.08

solo nos miramos.


Hace tiempo debimos conocernos
pero yo lo había olvidado
y debió pintarse de azul para que le reconociera.
(Ayer lo encontré de pie mirando al cielo)

[coisas de luis gabriel pacheco, ilustrador mexicano genial]

sempre lembro do coelho da alice nesta época do ano.

2.12.08

Always and evermore



quem sabe, eu passaria aqui vez ou outra apenas pra contar umas coisas, de todo coração opinar veementemente, soltar um ou dois desabafos, ou desaforos; dizer ai, de como não gosto de tanta cor na roupa, de rostos hirsutos, enfeites natalinos com música, ou que não ligo nem um pouco pra movimentação de planetas no céu, e que muito pior do que não ver poesia nas coisas, é ver demais onde NÃO TEM.

mas o tempo é curto e a chuva, vem, into my arms, oh Lord, into my arms.

20.11.08

Enrosca em meu pescoço



daí que eu ganhei um colar de polvo. veja bem, agora eu sou uma pessoa que tem um colar de POLVO; vocês bem sabem o que isso significa. esse fato muda uma porção de parâmetros, porque eu nunca mais vou tirar o colar de polvo nem me preocupar em aumentar minha já suntuosa coleção de colares. em qualquer lugar, quem quiser me reconhecer, é fácil: sou a que está com um colar de POLVO. não facilitou?

18.11.08

sobre o amor

os passarinhos aqui do bairro andavam meio atrapalhados ontem, viu. estávamos tomando a fresca da tarde quando na rua um carro atropelou uma pomba. ouvimos claramente um barulho de ossos e penas quebrando - mas como eu sabia que era esse o barulho antes de olhar, se eu nunca soube o som que isso tem? sei lá.
***
pombas são passarinhos?
***
-- não olha, não olha.
***
agora ninguém chora mais.

16.11.08

outra vez domingou, meu amor



então desenterraríamos velhos elepês e eu diria ah você também tem esse? que coincidência mais feliz // e também teríamos daqueles quadros de cortiça cheios de fotos sem medo, porque já passou tanto tempo, e parece bom envelhecer // daí tiraria da manga algo surpreendentemente novo, uma história, uma frase, uma mentira // ou algo gravado lá pela década de, não sei / e eu pensaria - ainda que um pouco desconfiada - mas como é que eu nunca soube disso? ou uma maneira de dizer, decentemente, como encontrei o amor da minha vida na zombie walk // o som de chinelos na escada / nossas senhas comuns configuradas / eu trago o livro, você me lê // e a vida, quem sabe faz ao vivo / enquanto você faz planos,

/ faço junto do piano estes versos pra você.

12.11.08

tempo para matar e criar,

tempo para matar e criar,

antes do chá com torradas.

4.11.08

o abominável homem autobiográfico

“O pior encontro casual da noite ainda é o do homem autobiográfico. Chega, senta e começa a crônica de si mesmo: ‘Acordo às sete da manhã e a primeira coisa que faço é tomar o meu bom chuveiro’. Como são desprezíveis as pessoas que falam no ‘bom chuveiro!’ E segue o parceiro: ‘Depois peço os jornais, sento à mesa e tomo meu café reforçado’. Ah, a pena de morte, para as pessoas que tomam ‘café reforçado!’”

(Antonio Maria em “Com vocês, Antônio Maria”)

- Bob também te acha chato.

31.10.08

para melhor atendê-lo


São Paulo / Trânsito BOM / 0Km de congestionamento; tá certo que é uma da manhã, mas gente. cadê o otimismo? // sonho de consumo 2867655/08: sofás Chesterfield infláveis // confissão: há tempos quero comprar dados, mas tenho vergonha de chegar pro cara da loja e perguntar 'oi, você tem dado?' // não perca tempo: conheça nossos amigos do fundo do mar // além do kit de primeiros socorros, tenha sempre um kit anti vampiros. nunca se sabe né // festinha animada com Arnold Schwarzenegger, 1977// a.m.o. / sonho de consumo 87462465/08: banheira na sala // acabei de encher minha própria sala com teias de aranha // biba méjico! acá está todo pruento para conmemorarse: lo raluín y el dia de lo hablarse portuñol. Y usted?

26.10.08

Minha alma chora



Comovo, não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho,
Não fico calado, não fico parado, não fico quieto,
Corro, choro, converso,
E tudo mais jogo num verso
Intitulado
Mal secreto.


[Jards Macalé no Teatro Municipal na Virada Cultural 2007 - melhor show que já vi. de chorar de emoção]

21.10.08

tempos modernos

RB. says (6:50 PM):
no profile diz q ficou solteiro(a)
eef says (6:50 PM):
facebook?
RB. says (6:51 PM):
é
eef says (6:51 PM):
gentem
mas agora isso?
eef says (6:51 PM):
eam
eef says (6:52 PM):
Você deve ser amigo de Fulano(a) para ver seu perfil completo.
po, eu nao sou amiga
RB. says (6:52 PM):
Fulano(a) está listado como solteiro(a). - Comentar
eef says (6:52 PM):
'comentar' hahahahahahha
RB. says (6:52 PM):
o mundo virou uma coisa ridícula
eef says (6:52 PM):
por isso vc ta aqui ne
comentando
RB. says (6:53 PM):
em pvt
eef says (6:53 PM):
em vez de repercutir, SHARE THIS.

20.10.08

o importante é saber se portar

o importante é saber se portar
you don't know me at all

saber pra onde ir, e chegar lá.

14.10.08

Jamais

outono

não me perco de mim

mais.

[Don't let hurricanes hold you back
Raging rivers or shark attacks
Find love, and give it all
away
.]

11.10.08

A louca dos gatos

Nem Spectroman poderá intervirMostra Sesc de Artes 2008
Mostra Sesc de Artes 2008
Mostra Sesc de Artes 2008
Nas paredes de aço do elevador D do Sesc Pinheiros, dentro da Mostra Sesc de Artes, fica lá até dia 18. "Que lindo, podia ficar pra sempre" disse uma usuária da unidade para a ascensorista; eu meio que me emocionei. Difícil de fotografar, por causa do reflexo; mas ao vivo ficou bem legal, posso garantir. veja a louca dos gatos inteira, aqui.

Ou lá: SESC Pinheiros [Rua Paes Leme, 195 Tel.: 3095-9400 email@pinheiros.sescsp.org.br
De 8 a 18, terça a sexta, 7h às 22h. Sábado, 10h às 21h. Domingo, 10h às 19h]

4.10.08

Literatura de elevador

Amanhã, dia 08/10, começa em São Paulo a Mostra Sesc de Artes. De periodicidade anual, em 2005 o tema era o Mediterrâneo, em 2003, Latinidades, em 2007, Circulações.
Este ano a proposta é Multiplicidade.

Com a palavra, os organizadores:
“A soma de experiências vividas nas edições passadas levou a equipe à questão-síntese da mostra: quais são os lugares da arte contemporânea? Percebemos que são vários; Vimos que a arte se manifesta nos espaços tradicionais e na ocupação de espaços não usuais. (...)

Pensando no deslocamento dos espaços tradicionalmente dedicados às artes e no estímulo a diferentes níveis de fruição, a edição 2008 da Mostra Sesc de Artes traz como elemento inspirador a busca por ações artísticas em distintas dimensões: desde ocupações em macro escala, dialogando com a arquitetura das unidades e espaços urbanos, até ações de pequeno porte, que valorizem ocupações não-usuais.”
Tudo isso é pra dizer que vai ter manifestações artísticas para todo lado. Bebedouros, elevadores, guardanapos, paredes, tetos, chão:
“É muito importante você poder se deparar com uma obra de arte na rua, que não tenha aquela aura de monumento, algo distante das pessoas.”
Aí falou minha língua. Arte acessível, desmistificada, fora da moldura, desfrutável, gostosa, espalhada por todos os lugares, macia como um gato? Adoro. Pode passar a mão, encostar a bunda, pisar em cima, derrubar água, levar pra casa? Pode.

Daí que o Sesc convidou a escritora e amiga Clarah Averbuck a “libertar o seu texto do suporte livro, para que seja usado em meios não-usuais”; e ela me indicou pra ilustrar, oba.

E o texto que ela escreveu pra ocasião fala coisas que eu muito concordo: de como São Paulo é uma merda mas é legal, e de como a gente não troca isso aqui por nada, de como ficar em casa é uma delícia, e tem os gatos e violão e delivery.

E no desenho tem tudo isso e tem o sofá vermelho alado, e tem prédios flutuantes, e ficará estampada por dez dias nas paredes do elevador de aço do Sesc Pinheiros e vai ficar lindo lindo lindo e eu quero que todo mundo vá lá ver, até porque no elevador do lado vai ter uma ilustra do meu amigo e sócio Kerges que com certeza também vai ser foda; e de quebra bora comer um sanduíche de berinjela na Comedoria por módicos quatro reais - uma verdadeira obra de arte acessível a todos.

e mais:
- veja o que já rolou nesses 12 anos de Mostra
- fique de olho nos projetos com curadoria do Ricardo Silveira, que entorna poesia no chão... e nos bebedouros, ônibus, seu bolso, celulares.
- tropece com harmonia na prosa de escada, com Chico Mattoso, Joca Reiners Terron e Santiago Nazarian e ilustrações de Andres Sandoval, Valéria Marchesoni e Alexandre Matos.

Negózdi Sesc. Artes visuais. Intervenção. Reflexão em meio ao fluxo.

Me segura, eu tô ADORANDO.

25.9.08

para sonhar com o tubarão que sonha



Ontem rolou a segunda edição do Pecha Kucha Night/SP no Itaú Cultural. O evento, linkado ao ciclo de eventos Invisibilidades, tinha como foco ficção científica brasileira. Desta vez não fui, mas mandei este powerpoint nonsense para ser pano de fundo da leitura de trechos inéditos do romance Mnemomáquina de Ronaldo Bressane.

[intuía que essa habilidade meeting empresarial um dia ia servir pra algo melhor que explicar metas e cronogramas; será?]

+ veja mais e melhor
- Mnemomáquina
- Vale do Zuma (apresentado na PKN/SP I)
- As coisas todas, explicadas
Vindo pra casa de táxi eu bocejava TANTO que o taxista mandou um 'boa noite, viu, BOM DESCANSO'. isso às OITO da noite.

23.9.08

vou apresentar alguns personagens da minha vida:

1. o pior cliente do mundo: fica na vila olímpia e eu gastei cem paus de táxi; pagava mal. no meio do trabalho elas resolveram 'ah, não vamos usar estampa nessa coleção'. você nos devolve as referências? pelo CORREIO.

2. o óculos mais zicado do mundo: paguei 75 reais e guardei na bolsa. quando passei na catraca do ônibus ele BRECOU. quebrou, não tem conserto.

18.9.08

Everything is gonna be alright


Noto q está tudo bem na minha vida quando deleto o e-mail do Horóscopo Personare e abro o de ofertas Tok Stok, em vez.

10.9.08

Nossa Senhora do Livro Lançado

nossa senhora do livro pronto

Er, oi. Só para contar que o livro Nossa Senhora da Pequena Morte [composição à quatro mãos - textos Clarah Averbuck + arte Eva Uviedo - batucada em máquina de escrever e embalada em LPs antigos] ficou pronto. E pronto, no caso, significa prontíssimo, terminado, revisado e impresso, em tiragem limitada, numerada e assinada, lançado pela Editora do Bispo (taí seu bispo que não me deixa mentir). Tem desenhos, colagens, coisas escritas à máquina, outras à mão, muita fita crepe, mulheres-polvo, vitrolas, coelhos, café, cigarros, piadas internas, muito vinho de caixinha, todas aquelas coisas. Tem mais coisa aqui, espero que gostem.

29.8.08

sobre amor e outros peixes

the little book of love and fishes

segundo o monty python, peixes deixam tudo melhor.

25.8.08

muito pouco sangue

quarta-feira // elizângela me cobrou uma coca-cola e meio quilo de café às 21:11, dois anos atrás - e ainda vive ao meu lado, colada na parede. então quem sabe ainda algo persista. mas pra que ficar triste por um chinês, por um rim, ou comprar mais um maço de cigarros sendo que não acabou? inútil esforço; faço mais não.

* * *

quinta-feira // cinco reais e trinta e um centavos - como tudo aumentou! - e uma enorme preguiça de chorar. gosto da idéia: em madagascar (ilha, ilha do amor) desenterram os mortos e os levam pra dançar, que tal? o comprovante emitido por elizangela tem proporção áurea e convive com vivos e mortos sem dor. já eu, não. não?

* * *

sexta-feira // o futuro foi ontem? descansei.

* * *

sábado // 
como a pele do mar:

* * *

domingo // comprei cigarros
, e ainda tinha um maço cheio, 
outra vez.
no raro silêncio da tarde, ao longe ouço um coro
cantar parabéns.

* * *

p. s. : que solitário e humilhante pode ser o amor, hein?.

23.8.08

é nóis no TATE


(it's we on the tape, ops tate)

Dear eef.
Tate Modern is delighted to inform you that your photograph
www.flickr.com/photos/evauviedo/478588570
has been selected by the judges to be included in the exhibition photobook, Street or Studio.

Your image will also be shown in a slideshow in the gallery for the remainder of the exhibition and archived on Tate Online as part of the exhibition's website. In the book, your image will appear with its title, your name and the address of its Flickr page. Finally, once the book is produced, you will receive a copy. We’ll let you know more about how to receive it nearer the time

Congratulations on the selection of your photograph.

We look forward to hearing from you soon.

Best wishes,

All at Tate