8.10.17

6.10.17

Da Ruth Escobar só lembro de que era uma mulher de imagem forte e carismática, intensa, desbocada e temperamental, e dos arranca-rabos homéricos com meu pai, que a dirigiu na peça "Caixa de Cimento", em 1979 (ele também não era fácil). Quase não tem documentação sobre a peça na rede, ainda mais porque não chegou a ficar muito em cartaz. Tinha polêmica, texto político, símbolos religiosos sendo profanados. Tinha militares no poder, repressão e censura no país. Mas tinha bons bares no Bixiga, Guaraná caçulinha a 10 cruzeiros e eu, seis anos - achei o maior barato tudo por aqui.


24.9.17

20.9.17

29.8.17

50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer

"Maria guardava um segredo: enquanto as outras garotas viviam bem em terra firme, o habitat dela era a água. (Há quem diga até que ela tinha escamas de peixe na pele)". Assim começa a história da nadadora Maria Lenk, única brasileira a ter seu nome no Swimming Hall of Fame, contada pela jornalista Débora Thomé no livro 50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer. O livro traz cinquenta histórias inspiradoras para meninas e meninos, e conta com desenhos meus e de outras 15 artistas mulheres.


O lançamento é neste domingo, 1º de outubro, às 15h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, e o livro já está à venda online nas principais livrarias. Espero que gostem!

17.10.16

o amor é um peixe grande

Sim, é possível morrer de amor. E a alma sabe disso. E os trovadores românticos tinham razão: dor de amor dói no peito. Sempre que penso em dores de amor, viajo diretamente às aulas de literatura nos tempos de cursinho pré-vestibular.

Imediatamente vem à minha mente as cartas de amor da Soror Marilena do Alcoforado, que se apaixonou aos vinte e poucos anos,  da sacada do convento, pelo oficial francês Marquês de Chamilly, nos idos 1668.  Suas cartas de amor, encontradas séculos após sua morte, foram incluídas no bojo da produção literária do romantismo. Dá prá sentir a sua dor, seu desespero de amor, ao ler as suas cartas:

” (…) A tua ausência, alguns impulsos de devoção, o receio de arruinar inteiramente o que me resta de saúde com tanta vigília e tanta aflição, as poucas possibilidades do teu regresso, a frieza dos teus sentimentos e da tua despedida, a tua partida justificada com falsos pretextos, e tantas outras razões, tão boas como inúteis, prometiam ser-me ajuda suficiente, se viesse a precisar dela. Não sendo, afinal, senão eu própria o meu inimigo, não podia suspeitar de toda a minha fraqueza, nem prever todo o sofrimento de agora.”

Doença

Você certamente já ouviu histórias de pessoas que morrem de verdade ou adoecem profundamente após serem traídas ou abandonadas, ainda no dias de hoje. Pessoas  que sofrem desmesuradamente com a paixão ou com o abandono e chegam a sentir uma grande dor no peito, uma pressão uma sensação de opressão, como se o coração parasse de bater. Cuidado: isso pode ser um infarto.

Em 1990, médicos japoneses descreveram a “Síndrome de tako-tsubo”, carinhosamente chamada de “Síndrome do coração partido”: mulheres com mais de 40 anos que apresentavam no eletrocardiograma sinais de um infarto do miocárdio  após um rompimento amoroso. Tako-tsubo é o nome que se dá a uma armadilha para pescar tubarões.

Sim, o amor é um peixe grande e pode ser também uma grande armadilha. As mulheres estudadas não chegaram a morrer, mas ficaram com uma cicatriz física, uma marca indelével daquela dor da alma. Sobreviveram. Fico imaginando quantas e quantos já morreram de amor.

Paixão

Provavelmente, a única prevenção é não se apaixonar. E muitas pessoas, após diversas decepções amorosas, escolhem esse caminho: desistir. Mas há quem não desista  nunca e continue sempre correndo atrás dessa “dorzinha gostosa”, essa dor que é ruim, mas também pode ser boa.

Do ponto de vista médico,  há uma relação bem determinada entre esses eventos,  sendo a  depressão considerada hoje um fator de risco para o infarto. Antidepressivos não curam “dor de cotovelo”, mas se a pessoa estiver muito mal, se a dor da alma, a tristeza, não diminuírem com o tempo ou aumentarem, pode ser sim um sinal de depressão. E daí as pílulas da felicidade podem até funcionar.

Agora, se a dor da alma for tanta e vazar da alma para corpo e fizer o peito doer, corre num pronto-socorro e faz um eletrocardiograma, ok?

Marcelo Niel, paulista, 39 anos, é psiquiatra e psicoterapeuta, escritor, blogueiro e agitador cultural. Lançou seu primeiro livro de contos e crônicas em 2010, o Prosas, Macumba e Cafezinho, pela Editora Scortecci.

http://www.paupraqualquerobra.com.br/2013/04/14/e-possivel-morrer-de-amor/#ixzz2cUNtWlwt

2.6.16

eu, tem dia



foto Ray Langsten

17.5.16



Parte do muro do cemitério do Araçá
caiu durante a chuva que atingiu a cidade nesta segunda-feira
e algumas gavetas com ossos tombaram na calçada.

E olha que essa foi a melhor notícia do dia até agora


Ele é esperto e persistente
Acha que nasceu pra ser respeitado
Ele é incerto e reticente
Acha que nasceu pra ser venerado
O palácio é o refúgio mais que perfeito
Para os seus desejos mais que secretos
Lá ele se imagina o eleito
Sem nenhuma eleição por perto
Ele é o esperto, ele é o perfeito
Ele é o que dá certo, ele se acha
O eleito

15.5.16

Se eu fosse dona de um meio de comunicação,
ia ter uma editoria chamada ¯\_(ツ)_/¯
ia usar de chapéu nas notícias ¯\_(ツ)_/¯
um carimbo pra usar no final dos vídeos ¯\_(ツ)_/¯
estaria liberado terminar os textos com ¯\_(ツ)_/¯
Mark Zuckerberg crie o botãozinho ¯\_(ツ)_/¯ pfv nunca te pedi nada.

11.5.16


como de costume,
certo está o Belchior

Conterrâneos Velhos de Guerra

Na ‪#‎DicadeDocumentário‬ de hoje fugirei um pouco dos óbvios 'O dia que durou 21 anos' (ótimo por sinal) ou outros sobre Golpes de Estado, aqui ou no mundo, de diferentes modelos - hoje podemos ver um ao vivo. Sugiro o excelente registro sobre a construção de Brasília: do projeto grandioso e utópico de cidade igualitária e democrática que, segundo o arquiteto Oscar Niemeyer falhou, à miserável vida das milhares de pessoas que a ergueram. Exploradas, escravizadas, massacradas, abandonadas à sua própria sorte, completamente à margem do novo Brasil que se anunciava. E pra quem acredita que os sistemas de saúde, educação, habitação, enfim, o país 'eram bem melhores antigamente': por favor, não deixem de ver. Mas prepara o estômago.



(via Bruno Torturra)

6.5.16

o importante é não perder o rebolado




Quem tava no volante do planeta
que o meu continente capotou
Me responde por favor

23.4.16

Já não odeio mais a minha voz, mas os meus cabelos.... afe.
No entanto, a materinha sobre o livro ‪#‎ToureandooDiabo‬ ficou ótima (como sempre, Arte 1) e eu expliquei tudo que tinha pra explicar: sobre o livro, os peixes, as coisas

Assistão:

18.4.16

"É preciso construir pontes e não erguer muros"
Não quero ponte nenhuma que me una a quem homenageia torturador, a racistas, a homofóbicos. Quero mais uma fileira de tijolos nesse muro. Um arame farpado. Uma cerca elétrica. Uma matilha de cachorros.